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Amazônia
Sauim estrangeiro

Coleção de macacos da espécie sauim-de-coleira que é endêmica em Manaus está no exterior

Aproximadamente 150 indivíduos dessa espécie de macaco - endêmica de Manaus- vivem na França e Inglaterra 28/02/2012 às 12:15
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O sauim-de-coleira é um dos primatas em maior risco de extinção devido ao habitat dele estar sendo pressionado
Elaíze Farias Manaus

A maior coleção de indivíduos da espécie sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) em cativeiro está no exterior. Estima-se que aproximadamente 150 sauins-de-coleira estejam em instituições de países como Inglaterra e França, segundo dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiro (CPB) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). No Brasil, esta população de cativeiro gira em torno de 15 indivíduos.

O sauim-de-coleira é uma espécie de primata cuja concentração restringe-se à fauna urbana de Manaus e alguns fragmentos florestais de municípios como Rio Preto da Eva e Itacoatiara. É considerado um dos primatas do Brasil com maior risco de extinção e um dos mamíferos mais ameaçados de todo o bioma amazônico.

De acordo com Laérzio Chiezorin, gestor da Reserva Sauim Castanheiras, instituição mantida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), os sauins encaminhados ao local são os provenientes de resgates e que, por algum fator, estejam impossibilitados de retorno à vida livre - ferimento ou algum tipo de distúrbio.

Ele explica que podem ser encaminhados também animais que não tenham a origem corretamente definida, o que impossibilita a reintrodução no local de resgate, visto que são indivíduos que pertencem a grupos fechados. "A destinação ocorre sempre de acordo com as possibilidades de recebimento da instituição e da existência de indivíduos que permitam o pareamento. O Centro de Primatologia do Rio de Janeiro tem esse controle, inclusive é quem faz a destinação para outros centros espalhados no Mundo", diz Laérzio.

Importância

O gestor conta que os programas de cativeiro são importantes porque cria "poupanças genéticas" que poderão ser utilizadas em programas de reintrodução. Ou seja, os sauins-de-coleira que integram colônias da espécie espalhadas pelo mundo podem ser repatriados para Manaus, a fim de que possam repovoar fragmentos florestais protegidos na cidade de origem.

O Refúgio Sauim Castanheiro é o principal centro de resgate do sauim-de-coleira de Manaus. Atualmente, o local tem apenas um indivíduo. “O RVS é um local de passagem e não de reprodução. Felizmente, o número de resgates é muito pequeno, ao longo do ano passado, foram seis animais resgatadas, o que significa dizer que eles estão convivendo em áreas protegidas”, conta.

Empréstimo para locais de estudo

 O coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, Leandro Jerusalinsky, cuja sede é no Estado da Paraíba, explica que o envio de indivíduos para o cativeiro é um “acordo de empréstimo”, no qual o animal continua pertencendo ao governo brasileiro, embora seja mantido por uma instituição mantenedora.

O trâmite de viabilização da reprodução em cativeiro desta espécie até 2011 era desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Centro de Primatologia do Rio de Janeiro.

Desde o ano passado, após a publicação do Decreto 7515, a ação passou a ser de responsabilidade do ICMBio, mas a execução desta nova fase será realizada apenas quando a Instrução Normativa instituindo os programas de cativeiro for publicada. Uma reunião marcada para acontecer em Manaus, ainda sem data, vai definir as novas ações.

“Pretendemos começar a montar esse programa este ano. O objetivo será definir como se dará o programa de cativeiro. Se será reintegração na natureza, realização de estoque genético, educação na natureza ou pesquisa sobre reprodução. Ou se será tudo isso junto”, destacou o coordenador do Centro Nacional Jerusalinsky.

 O programa de cativeiro será sintonizado ao Plano de Ação Nacional para Conservação do Sauim-de-Coleira (PAN), elaborado pelo ICMBio em parceria com várias instituições e órgãos ambientais.

Ameaças em meio urbano

 Segundo dados do PAN do Sauim-de-Coleira, a principal ameaça da espécie é a destruição de seu hábitat, devido ao desmatamento e da fragmentação das florestas ao longo de toda a sua distribuição geográfica e, principalmente, nas proximidades de Manaus.

 Estudos detectaram uma redução na variabilidade genética de sauins em pequenos fragmentos de floresta de Manaus, devido principalmente a uma redução drástica das populações originais.

O isolamento a que essas populações estão submetidas em função da restrita mobilidade que as áreas urbanizadas oferecem, diminui as chances de movimentação de sauins entre fragmentos, aumentando as chances de cruzas entre parentes. A redução e o isolamento podem resultar em aumento da endogamia, redução do fluxo gênico e erosão genética das populações, que geralmente trazem graves problemas à sobrevivência das populações remanescentes.