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Amazônia
PESCA

Com fim do período de defeso, pescadores viajam para 'Pesca do Mapará', no Careiro

O evento, que não é esportivo, mas de caráter comercial, segue até a próxima segunda-feira (19). Em 2018, organizadores apostam em um faturamento superior a R$ 700 mil 16/03/2018 às 07:20
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Foto: Arquivo/AC
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Terminado nessa quinta-feira (14) o período de quatro meses do defeso, chegou a hora de “tirar o pé da lama”. Hoje, mais de 600 pescadores cadastrados partirão em duplas, em suas canoas, rumo ao Lago do Rei, no município de Careiro da Várzea (a 22 quilômetros de Manaus), para abrir mais uma edição da “Pesca do Mapará”.

O evento, que não é esportivo, mas de caráter comercial, segue até a próxima segunda-feira (19), contando apenas com pescadores artesanais do município. Esta é a oportunidade que eles têm de, livres dos invasores, arrecadarem o suficiente para manterem suas famílias por alguns meses.

Organizadores apostam em um faturamento superior a R$ 700 mil, visto que na edição do ano passado, com uma estrutura inferior, os pescadores conseguiram 140 toneladas de pescado, o que gerou uma receita de quase R$ 500 mil. Sem intermediário, o resultado da venda é exclusivamente dos nativos, visto que compradores mobilizam grandes estruturas para efetuar a compra do peixe do próprio lago.

A fase mais intensa da temporada de pesca do mapará no Careiro é curta porque, com a cheia do rio, logo os cardumes se dispersam e entram por áreas de difícil acesso para os pescadores, tornando a atividade apenas de subsistência.

Nova perspectiva

De acordo com o secretário municipal de Pesca e Aquicultura, Aldo Procópio, até 2016 a pesca do mapará deixava a desejar em organização e tornava uma atividade pouco rentável para os pescadores do município. A partir do ano passado, o evento ganhou nova perspectiva. As comunidades do complexo de lagos e seu entorno foram mobilizadas a participar da discussão que levou a um acordo de pesca voltado para a proteção e preservação dos mananciais.

Entre as decisões tomadas pelos comunitários, após uma série de reuniões nas principais comunidades do complexo e de áreas vizinhas, estavam as regras básicas para participação na pescaria, formas de evitar a captura de peixes muito pequenos, quantidade máxima de malhadeiras por canoa e preço mínimo para a venda.

“Teve um grau de resposta tão positivo que, já em 2017, foi possível dar uma nova dinâmica a essa pescaria, evitando-se a invasão de barcos ‘estrangeiros’, a pesca predatória e outras práticas danosas”, destacou o secretário de Meio Ambiente do Careiro da Várzea, Raimundo Passos.

Para o prefeito, Ramiro Gonçalves, a preservação do complexo do Lago do Rei, além de uma questão de racionalidade, é um compromisso prioritário de sua gestão. “É assim que vamos ajudando os cidadãos de nosso município a abrirem seus olhos para uma nova e necessária realidade, que é a da preservação, da conservação e do uso sustentável dos recursos naturais”, afirmou.

Regulamento passou por adaptações

Em 2018, as secretarias municipais de Meio Ambiente, de Pesca e Aquicultura, de Turismo, de Desenvolvimento Sustentável e de Obras, Urbanismo e Serviços Públicos, e as entidades representativas dos pescadores (Associação, Colônia e Sindicato), membros do legislativo municipal e técnicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), realizaram novas reuniões e estabeleceram regras complementares às de 2017, como uso de redes com malha mínima de 45 mm entre nós opostos.

“O tamanho da malha da rede para a pesca deste ano é 5 mm maior que a usada em 2017, o que vai proporcionar a captura de peixes maiores, com isso, serão poupados os indivíduos menores, contribuindo para a manutenção dos estoques da espécie mapará”, esclareceu o engenheiro de pesca João Bosco Silva, da Sema.

Uma história de muitos séculos

A importância do Lago do Rei para a pesca, de acordo com dados históricos, vem desde o século XVII quando, em 1667, o local foi instituído como um dos pesqueiros reais da Coroa Portuguesa e passou a ser reservado à captura de peixes, para alimentar os militares e funcionários da Fazenda Real, sendo o nome do lago originário desse contexto histórico. Maparás são bagres de pequeno porte encontradas nos rios do Amazonas e seus afluentes.

Complexo de lagos

O Lago do Rei é um complexo formado por mais de 60 lagos de várzea e representa uma das áreas de maior potencial piscoso do Amazonas. É o lugar preferido pelos pescadores amadores e profissionais, pela grande concentração de espécies.

Proteção de espécies

A abertura da temporada de pesca do mapará no Lago do Rei ocorre sempre após o fim do defeso, período em que fica proibida a pesca dessa e de outras espécies  como o pirarucu, tambaqui, matrinxã, pirapitinga, sardinha, pacu e aruanã. O defeso termina exatamente no dia 15 de março. A medida  foi instituída para garantir a proteção da reprodução das espécies

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