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Amazônia
Cotidiano, Musa, Museu da Amazonia, Palestra, insetos

Comunicação entre insetos é tema de palestra em Manaus

Ministrado pelo biólogo Gil Felipe Miranda, o evento abordará algumas formas de comunicação entre insetos, por meio do uso de macrofotografias e vídeos 03/07/2012 às 16:29
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Insetos como o bicho-pau, podem utilizar a audição, o olfato, o toque e, até mesmo, gestos visuais, para se comunicar
acritica.com Manaus

A comunicação entre insetos será o tema desta quinta-feira (5), do Ciclo de Palestras do Museu da Amazônia (Musa), ministrada pelo biólogo Gil Felipe Gonçalves Miranda, a partir das 17h, na sede administrativa do Musa, localizada na rua EG, 11A, conjunto Morada do Sol, no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.

A palestra irá cobrir algumas formas de comunicação entre insetos, através do uso de macrofotografias e vídeos, exemplificando estruturas usadas para efetivar essa comunicação.

Segundo Gil Miranda, os insetos utilizam a audição, o olfato, o toque e, até mesmo, gestos visuais, para se comunicar. O pesquisador mostrará a produção de som e as estruturas responsáveis pela captação do som em alguns Orthoptera (grilos, gafanhotos, esperanças e outros) e falará sobre uso de feromônio, trocas de informação e 'danças de acasalamento'.

“Muito insetos, como os grilos e gafanhotos, esfregam partes do corpo para fazer barulho e atrair os insetos do sexo oposto para o acasalamento; outros têm estruturas específicas que se parecem com o tímpano do ouvido dos seres humanos, mas essas estruturas não estão em um ouvido, e sim em partes diferentes do corpo, como as pernas”, revelou o pesquisador.

Alguns insetos liberam substâncias químicas, os feromônios (cheiros), que são sentidos por outros membros da espécie e permitem o reconhecimento entre eles. Eles usam suas bocas ou, na maior parte das vezes, as suas antenas para captar esse cheiro. “Os diferentes cheiros podem sinalizar ‘comida por esse caminho’, ‘tragam todo mundo para a colônia’ ou ‘estou procurando alguém para formar um casal’, exemplificou.

Já o contato físico, disse, "é realizado através de toques rítmicos com antenas e/ou pernas ou 'trombadas' como reconhecimento e troca de informação. As formigas, por exemplo, batem com suas antenas ou pernas nos outros membros da sua colônia para chamar a atenção deles para alguma função que deveriam estar realizando". 

Gil Miranda acrescentou que "algumas formigas criam outros insetos (como pulgões e cochonilhas) para obter líquidos açucarados que são usados na sua alimentação. Elas conseguem obter esse líquido através de leves toques com suas antenas nos insetos que eles criam. Além disso, outros insetos usam o toque com diferentes partes do corpo para sinalizar que estão interessados no sexo oposto”, acrescentou.

Sinalizações com partes do corpo também são usadas em danças de acasalamento. Em sua maioria, os insetos possuem olhos um do lado do outro que formam uma estrutura maior, chamado “olho composto”. Segundo o pesquisador, “isso permite que muitos deles se comuniquem através de sinais, como as abelhas com as suas danças para mostrar o caminho até a fonte de alimento, ou as moscas que mexem suas asas devagar para atrair o sexo oposto.

Gil Felipe Gonçalves Miranda é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/INPA. Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Paraná (2002), mestrado em Ciências Biológicas (Entomologia) pela Universidade Federal do Paraná (2005) e doutorado em Environmental Biology pela Universidade de Guelph (2011). Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Syrphidae (Diptera), com atuação nos seguintes temas: diversidade, neotropical, abundância, cladística e sistemática.