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Coordenadora da Funai tenta primeira conversa na ocupação de Belo Monte

Trecho da hidrelétrica foi ocupado por índios, pescadores, ribeirinhos e agricultores que protestam contra o barramento do Rio Xingu. Justiça negou pedido de despejos das empresas mas notificou a Funai para realizar trabalho de intervenção pacífica em 48 horas. 11/10/2012 às 18:11
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Coordenadora ao acampamento seguiu a recomendação do juiz federal Marcelo Honorato
acrítica.com* ---

A coordenadora regional da Funai, em Altamira (PA), Estella Libardi de Souza, visitou nesta quarta-feira (10) no trecho das obras da Hidrelétrica de Usina de Belo Monte (PA), ocupada no início desta semana por indígenas, pescadores, ribeirinhos e agricultores que protestam contra o barramento do rio Xingu e o não cumprimento de acordos condicionantes.

A representante foi ao local para manter a primeira conversa conciliatória com os cerca de 200 manifestantes que ocupam a área denominada ensecadeira de Pimentel. Estella de Souza foi ao local acompanhada por um representante da Norte Energia e dois membros da Polícia Federal.

A ida da coordenadora ao acampamento seguiu a recomendação do juiz federal Marcelo Honorato, que negou o pedido de despejo da Norte Energia e do Consórcio Construtor Belo Monte e notificou a Funai “para realizar o trabalho de intervenção pacífica no conflito possessório, durante as próximas 48 horas, com a presença de um procurador federal e especialistas indígenas, devendo apresentar Relatório Circunstanciado a cada 24 horas de trabalho, descrevendo, compulsoriamente, as soluções tentadas, os insucessos e seus motivos, bem como se obteve êxito na retirada pacífica dos indígenas”.

De acordo com os manifestantes o sucesso das negociações dependerá inteiramente do atendimento das reivindicações apresentadas durante a reunião, que foram lidas e entregues por indígenas e pescadores, e assinadas pela representante da Funai.

Segundo participantes, houve tensão no inicio da reunião quando os manifestantes acusaram a Norte Energia de coerção por ter cortado a água potável e a energia da ensecadeira, deixando-os em situação de extrema vulnerabilidade. Também a fala de um dos representantes da Policia federal, de que não haveria negociação em área ocupada mas apenas em Altamira, gerou protestos entre os indígenas, que reafirmaram que quaisquer conversas deverão ocorrer no acampamento.

Reivindicações

Tanto indígenas quanto ribeirinhos, pescadores e agricultores haviam preparado suas respectivas pautas de reivindicação, apresentadas à coordenadora da Funai. Dentre elas, os indígenas exigem a demarcação de terras indígenas, saneamento básico,construçãoo de escolas com ensino diferenciado nas comunidades indígenas. Já os pescadores, ribeirinhos e agricultores apresentaram demandas em conjunto, entre as quais: o direito de pescar e andar livremente no rio; inclusão das ilhas e da margem do rio Xingu como área de subsistência e territórios dos povos tradicionais; um fundo emergencial para as famílias que dependem do rio Xingu no valor de 3 mil reais/mês, com reajuste, do início das obras até seu término


*Com informações da assessoria de comunicação PRam/MPF