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Amazônia
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Cultura dos yanomami é uma das mais preservadas do país

“Serra do Vento”, nome em português da aldeia Watoriki, tem uma população de 150 pessoas 02/11/2012 às 17:45
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Elaíze Farias Aldeia Watoriki, Barcelos (AM)

A aldeia Watoriki tem este nome em referência à montanha que margeia uma parte daquela área. Com aproximadamente 300 metros de altura, a montanha “serra do vento” forma um dos cenários mais bonitos da maloca.

Para se chegar ao local, há duas opções: de avião pequeno - duas horas de Manaus e uma hora de Boa Vista (RR) - ou de barco. Pelo rio, é preciso ir até o Município de Caracaraí (RR) e descer o rio Branco até Barcelos e ali pegar o rio Negro, subindo. De barco, a viagem dura cerca de 10 dias.

A Terra Indígena Yanomami é vegetação sem fim, floresta que não acaba mais, que enche a vista de quem está habituado a ver apenas desmatamento.

“Nunca imaginava que um dia eu viria visitar esta aldeia. Estou muito emocionado. Aqui a gente não fica doente. Dorme bem e acorda bem. É uma floresta única no mundo”, disse Dorvalino Rfej, da etnia kaigang coroado, do Rio Grande do Sul, que fez parte de um grupo de indígenas de outras regiões presentes em Watoriki durante a assembleia.


População

Watoriki tem sua população de 150 pessoas dividindo o mesmo espaço em uma maloca circular de aproximadamente 270 metros de circunferência. A área central é destinada às atividades cerimoniais, festas e danças, como ocorreu durante a assembleia.

Antes do evento, cada grupo novo (indígenas de outras comunidades e de outros povos e visitantes não-indígenas, incluindo os jornalistas), que chegava participava de um dança junto com os homens e mulheres indígenas.

Os yanomami são um povo indígena de contato razoavelmente recente – pouco mais de 60 anos. A localização dificulta o acesso de não-indígenas – com exceção dos convidados, dos outros indígenas e, claro, dos invasores garimpeiros.

Assembleia

A presença de visitantes em Watoriki durante a assembleia alterou minimamente o cotidiano dos moradores da aldeia. Como havia visitandes não-indígenas, algumas cozinheiras da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) foram contratadas para preparar as refeições.

Por causa da urgência e da intensa programação dos debates, os indígenas também foram incorporados à organização da culinária da assembleia. Nos dias comuns, eles se alimentam da caça em grupos, sentados em banquinhos de madeira, durante o qual conversam muito durante quase toda a noite.

Tarefas

A divisão de tarefas é de acordo com o sexo. Os homens desenvolvem caça individual (que dura menos tempo) e caça coletiva de animais como anta, macaco e aves.

A tarefa das mulheres é trabalhar no roçado e cultivar as plantações. Elas também carregam pesadas cargas de toras pequenas de madeiras e mandiocas e são responsáveis por fazer beiju, uma das refeições comuns entre os yanomami.

Em Watoriki, o banho é separado. Em um pequeno igarapé de água permanentemente fria as mulheres (inclusive as não-indígenas) lavam louça e tomam banho junto com as crianças. Os homens usam outro braço do igarapé, na parte mais baixa.

Contato

Os primeiros contatos dos yanomami com o “branco” ocorreram nos anos 40, quando uma Comissão de Limites e funcionários do antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) chegaram à área para delimitar a área com a Venezuela.

Na mesma época também se estabeleceram na região missionários católicos e evangélicos. Estas missões durante muitos anos permaneceram nas aldeias, mas hoje muitas delas já se afastaram, a maioria por pressão dos próprios indígenas.

Embora pouco se fale deles, fazendeiros ilegais continuam ocupando a terra yanomami, mesmo após a homologação.