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Dança dos Peixes abre exposição do Museu da Amazônia no Jardim Botânico Adolpho Ducke

No evento o visitante poderá conhecer um pouco dos mitos e da cosmologia Tukano relacionada aos conhecimentos da pesca, o dia a dia das comunidades e o rico patrimônio material e imaterial das comunidades habitantes do alto rio Negro.  07/11/2012 às 18:07
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Dança dos Peixes (Wai-Masã), que, na cultura Tukano tem a finalidade de comunicar aos peixes que vão fazer a piracema, o início das atividades de pesca na região
acrítica.com* ---

A presença dos indígenas das etnias Tukano, Dessana e Tuyuka marcou a festa de abertura das exposições Sapos, Peixes e Musgos – a vida entre a terra e a água na Reserva Ducke e Peixe e Gente, que ocorreu no final da tarde desta quarta-feira (06/11), no centro de visitação do Museu da Amazônia/Musa (Jardim Botânico (JB) Adolpho Ducke, Zona Leste de Manaus).


Visitantes, convidados, colaboradores e equipe de produção assistiram à Dança dos Peixes (Wai-Masã), que, na cultura Tukano tem a finalidade de comunicar aos peixes que vão fazer a piracema, o início das atividades de pesca na região. Ao som dos carriços (flautas indígenas), eles realizaram o ritual que nas aldeias costuma proceder à confecção das armadilhas.

São muitas as armadilhas de pesca utilizadas pelos indígenas das etnias do alto rio Negro que compõem a exposição Peixe e Gente, no JB. Trazidas do rio Tiquié, ou construídas no próprio local da exposição, elas são o resultado de séculos de ocupação e experiência nessa área do alto rio Negro. São jequis variados, imihnó (cacuri portátil), esteiras (grandes e pequenas), matapis, caiás e puçás – dispositivos fixos utilizados na captura de peixes, que foram instalados em espaço aberto do JB, ou na maloca que se constitui num portal de entrada da exposição, e que abriga outras peças da exposição.

O visitante que comparecer ao Jardim Botânico vai se deparar com as armadilhas de pesca – algumas enormes – mapas, artefatos indígenas, objetos de cerâmica, utensílios domésticos, distribuídos num amplo espaço de 1000m2 do centro de visitação do Musa. Poderá conhecer um pouco dos mitos e da cosmologia Tukano relacionada aos conhecimentos da pesca, o dia a dia das comunidades e o rico patrimônio material e imaterial das comunidades habitantes do alto rio Negro.


A exposição retrata os conhecimentos indígenas e ictiológicos, mitos e conceitos cosmológicos relacionados à origem dos peixes e suas relações com a humanidade.

A instalação da exposição foi coordenada pelo artista plástico Zeca Nazaré e contou com uma equipe de trabalho formada por artistas plásticos, artesãos e conhecedores indígenas, além da equipe do próprio Musa. Com recursos da Lei Rouanet, contou com a parceria do Instituto Socioambiental/ISA, através das participações do curador da exposição, Aloisio Cabalzar, autor do Livro “Peixe e gente” e da antropóloga Melissa Oliveira.

Durante a abertura das exposições, o diretor do Museu da Amazônia/Musa, Ennio Candotti destacou o grande aprendizado que essa exposição traz para todos, sobre as culturas do alto rio Negro, ressaltando, especialmente, as armadilhas de pesca e os segredos da dança, pois ao contrário da nossa cultura, os índios têm uma relação de respeito com essa atividade de subsistência. “Ao contrário do predador, que pesca sem se comunicar com os peixes, os indígenas do Tiquié conhecem a importância de se estabelecer essa comunicação, pois, caso contrário, é como se o peixe dissesse: eu não vou participar da sua festa!”, destacou.

A Outra exposição no centro de visitação do Musa no JB é Sapos, Peixes e Musgos – a vida entre a terra e a água na Reserva Ducke, que aborda o universo dos animais e plantas que vivem entre os ambientes aquáticos e terrestres na Amazônia e a presença desses seres no imaginário das populações locais do passado. A exposição ocupa tenda de 300m2 instalada no JB e conta com elementos apresentados ao vivo na própria floresta – em consonância com o projeto conceitual do Musa –, como briófitas e áreas de nidificação de sapos.

Entre as peças que serão expostas, estão aquários com espécies de peixes pulmonados, totens que explicam a respiração dos peixes, painéis que contam a evolução dos anfíbios, uma instalação de cubos que mostra a diversidade de sapos, o jogo do Cururu, que explora a possibilidade de conhecer as espécies de sapo através do canto, além de réplicas de muiraquitãs. A exposição traz exemplos da transição dos seres vivos da água para a terra.

 *Com informações da assessoria de comunicação