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Descoberto esquema de furto de madeira do Amazonas

Madeireiras de Rondônia extraíam produto nas reservas do Amazonas, de forma ilegal, com nota fiscal emitida no estado deles 27/01/2014 às 08:44
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O total de madeira autorizada para retirada no AM representa 25% do total autorizado pelo Estado de Rondônia, onde esse serviço está temporariamente cancelado
Florêncio Mesquita Manaus (AM)

Todos os planos de manejo de madeira de Rondônia foram suspensos, no último mês, depois que o Governo do Amazonas identificou um esquema ilegal no qual madeireiros derrubavam árvores em solo amazonense e legalizavam o material em Porto Velho.

A madeira extraída principalmente no Sul do Amazonas, na região de Humaitá (a 600 quilômetros de Manaus), era levada em caminhões para Porto Velho e recebia a documentação rondoniense como se fosse oriunda dos planos de manejo daquele Estado. A madeira era extraída com baixo custo no Amazonas e vendida em Rondônia com alto lucro para madeireiros.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) descobriu o esquema e comunicou o fato à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, somente depois de reunir provas suficientes que descartassem contestação. A titular da SDS, Kamila Botelho, passou a conversar com a pasta de meio ambiente de Rondônia que optou por suspender as autorizações dadas aos planos de manejo para que todos fossem revisados.

Dados obtidos pela SDS apontam que em 2013, o Governo de Rondônia liberou planos de manejo para 4 milhões de metros cúbicos de madeira, enquanto que o Governo do Amazonas liberou planos de manejo para 550 mil metros cúbicos, o que representa 25% do total de Rondônia. Porém, a desproporcionalidade dos números de madeira obtidos nos planos de manejo na comparação do território de Rondônia com Amazonas, chamou a atenção da SDS.

Para a SDS, não teria como obter um número tão elevado de madeira sem território suficiente. A manobra ilegal era feita por alguns donos dos planos de manejo. Eles conseguiam a autorização em Rondônia, mas ao invés de derrubar as árvores do Estado onde moram, deixavam a área preservada, derrubando as árvores no Amazonas e registravam a madeira com a documentação fornecida para os planos de manejo rondonienses.

O esquema fazia com que os fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se deparassem com áreas intocáveis, onde deveria ter plano de manejo em Rondônia.

Segundo Kamila Botelho, a principal preocupação para iniciar o combate ao esquema foi o cuidado para reunir provas evitando que o posicionamento do Amazonas resultasse em problema com o Estado vizinho. Depois que a SDS apresentou as provas da manobra ao Governo Federal e ao de Rondônia, viram que se tratava de um crime e os planos de manejo daquele Estado foram suspensos.