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Amazônia
AMEAÇA

Devido à matança de botos, Inpa lança guia de identificação das espécies

Carne dos botos é usada para a pesca da piracatinga, proibida desde o dia 1º de janeiro de 2015 20/06/2017 às 05:00 - Atualizado em 20/06/2017 às 09:42
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Matança indiscriminada dos botos chega a 2,5 mil por ano, conforme estimativa de ambientalistas (Foto: Edmar Barros)
Silane Souza Manaus (AM)

Estima-se que em torno de 2,5 mil botos vermelho e tucuxi são mortos por ano em algumas regiões da Amazônia. Este número é considerado alarmante pelos ambientalistas haja vista que tem afetado drasticamente as populações desses animais e colocado as espécies no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Elas também estão classificadas como “Dados Insuficientes” pela Unidade Internacional de Conservação da Natureza (IUCN).

Para combater essa matança indiscriminada de botos da Amazônia, usados principalmente como isca para a pesca da piracatinga, peixe cujo filé é comercializado com o nome de douradinha, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) lançou, ontem, o “Guia de identificação das principais espécies de peixes comercializados como douradinha”. A cartilha será útil para a identificação desse pescado, muitas vezes já processado nos frigoríficos da região.

A mestranda em Ecologia do Inpa Angélica Nunes, uma das autoras do guia, explica que a pesca e a comercialização da piracatinga estão proibidas desde o dia 1º de janeiro de 2015, mas tem se observado que o peixe continua sendo vendido no mercado com nomes de outros peixes, como piramutaba e até surubim. Por isso, a importância de os fiscais saberem identificar a espécie dentre as demais é muito grande para o cumprimento da lei e a conservação dos botos.

“As piracatingas são vendidas com outro nome e é difícil de o fiscal identificar os filés do peixe, mas nessa cartilha nós mostramos que os pescados comercializados como douradinha tem muitas diferenças entre eles. É possível identificar a piracatinga pela anatomia, coloração da carne (mais avermelhada), além de outras características. Essa identificação é uma boa ferramenta para mostrar que pode existir piracatinga em um frigorífico, o que só será confirmado através de análise genética”, pontuou.

Legislação

O “Guia de identificação das principais espécies de peixes comercializados como douradinha” tem 60 páginas, contendo capítulos sobre legislação e proteção da fauna, pesca da piracatinga, identificação do peixe, entre outros pontos. O material, conforme Angélica Nunes, será distribuído para os órgãos ambientais responsáveis pela fiscalização do pescado e frigoríficos no Amazonas, e ajudará na capacitação para a identificação da piracatinga.

Parceria institucional

Coordenado pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), em parceria com a Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa) e o Ministério Público Federal (MPF), o lançamento do “Guia de identificação das principais espécies de peixes comercializados como douradinha” faz parte das atividades da Campanha Alerta Vermelho (www.alertavermelho.org.br), que se dedica à conservação dos botos da Amazônia. O Alerta Vermelho pretende combater as atividades ilegais de caça e pesca, através do engajamento e da participação ativa das pessoas, dentro e fora da região amazônica.

Moratória ambiental

A pesca e a comercialização da piracatinga estão proibidas desde o dia 1º de janeiro de 2015. A moratória foi usada como forma de conter a matança indiscriminada de botos e jacarés nos rios da Amazônia, que são usados como isca para a pesca do peixe. Até 2020, a pesca deste peixe está proibida.