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Amazônia
MEIO AMBIENTE

Dia Nacional da Cultura é marcado pela realização da 1ª Pororoca da Nação das Águas

O objetivo principal da ação foi sensibilizar a sociedade para a emergência de uma grave crise hídrica que já é uma realidade em todo o país. Mobilização nacional aconteceu neste domingo 05/11/2017 às 13:57 - Atualizado em 05/11/2017 às 14:09
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Em Manaus, as atividades foram realizadas na praia das Lajes, em frente ao Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões. Fotos: Euzivaldo Queiroz
Silane Souza Manaus (AM)

Várias capitais brasileiras realizaram neste domingo (05), Dia Nacional da Cultura, a 1ª Pororoca da Nação das Águas, uma mobilização nacional que reúne defensores das águas pelos direitos dos rios, entre eles o Amazonas. Em Manaus, as atividades foram realizadas na praia das Lajes, em frente ao Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões, pelos movimentos “SOS Encontro das Águas” e “Nación Pachamama” juntamente com diversos atores sociais do Estado. 

Uma das reivindicações do grupo é a “Homologação do Tombamento do Encontro das Águas”. Voluntários, alunos, professores, pesquisadores de várias instituições e ONGs locais lembraram que apesar de a área ter sido tombada como Patrimônio Natural e Cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o processo ainda não foi homologado pelo Ministério da Cultura.  

Eles defendem, ainda, que o rio Amazonas seja considerado como Sujeito de Direitos e como tal seja protegido. E que ações efetivas sejam realizadas pelo poder público Municipal, Estadual e Federal no Encontro das Águas para evitar sua crescente degradação, para recuperar as áreas e águas degradadas e para promover seu uso sustentável pelas comunidades locais. 

Além do “Encontro das Águas”, o tombamento inclui sítios arqueológicos, geológico e paleontológico. A falta de homologação desse instrumento coloca tudo isso em risco.  A pesquisadora Elisa Wandelli, membro do “SOS Encontro das Águas”, alertou para a importância da conscientização e cobrança dos governantes para a preservação de toda a área em questão. 

 “Tem que haver projetos de ecologia, turismo e cultura para esse nosso patrimônio. Também temos que melhorar o status de proteção dessa região que é tombada, mas os governantes locais não assumiram como tal, a prova é que os sítios arqueológicos foram depredados, tem lixo por toda parte, o esgoto da cidade vem para cá, apesar da importância do significado do Encontro das Águas para o povo da Amazônia”, disse Elisa.

Visando a conscientização, foram realizadas pelos voluntários visita a área tombada como Patrimônio Natural e Cultural e aos sítios arqueológicos, geológico e paleontológico, debates, coleta de lixo na praia das lajes e manifestações culturais e artísticas livres. 

O objetivo principal da 1ª Pororoca da Nação das Águas é sensibilizar a sociedade para a emergência de uma grave crise hídrica que já é uma realidade em todo o país. Por meio da arte, e de diversas expressões culturais, é possível relembrar o vínculo indissolúvel entre a vida humana e a vida dos rios. 

Ações simultâneas
A 1ª Pororoca da Nação das Águas foi promovida pelo Movimento Nación Pachamama juntamente com diversos movimentos sociais e juristas do país inteiro. A mobilização é em defesa do Rio Amazonas, Rio São Francisco, Rio Doce, Rio dos Sinos e Rio Camaquã, além de diversos outros rios de importância local. 

Em todas as regiões onde o evento acontece está sendo realizadas manifestações sociais e artísticas com o objetivo de articular a legalização de políticas públicas que amparem estes rios como sujeitos de direito e que os mostrem como centro nutritivo da própria humanidade desde a antiguidade.

De acordo com os organizadores, a 1ª Pororoca da Nação das Águas representa o momento em que o Brasil, país com a maior quantidade de água doce do planeta (cerca de 12%), exerce seu protagonismo diante da grande ameaça que as águas, especialmente os rios, mananciais e aquíferos, enfrentam pela ação indiscriminada do ser humano. 

Eles destacam que, enquanto países como Equador e Bolívia reconhecem nas suas Constituições os direitos da Mãe Terra e o princípio da Harmonia, e diversos rios do mundo – a exemplo do Ganges e Yamuna, na Índia – ganham o mesmo status jurídico de um ser humano no que diz respeito ao seu direito à vida, o Brasil completa o aniversário de um dos maiores desastres naturais da nossa história, o assassinato do Rio Doce, em Mariana/MG. 

“A resposta da Mãe Terra vem em forma de uma onda nacional de mobilização de arte, consciência e amor à natureza, na defesa dos rios brasileiros e do mundo, no despertar da consciência Pachamama (Mãe Terra)”.