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Educação ambiental na escola transforma realidade de ribeirinhos do interior do AM

Provas de que a educação aliada à preservação do meio ambiente pode transformar não apenas o lugar onde se vive, mas também a vida de muita gente é o que se pode ver às margens do rio Mariepaua, na RDS do Juma 05/06/2014 às 13:06
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A escola atende 82 alunos de dez comunidades da zona rural de Novo Aripuanã
Monica Prestes ---

Do meio da floresta, às margens do rio Mariepaua, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, interior do Amazonas, vem um exemplo de como a educação aliada à preservação do meio ambiente pode transformar não apenas o lugar onde se vive, mas também a vida de muita gente. Como o do estudante Glemerson Brazão Correia, de 16 anos, que está aprendendo na sala de aula o sinônimo da palavra sustentabilidade.

E esse aprendizado vai muito além das definições do dicionário. Nascido em Manaus, mas morador de uma comunidade ribeirinha na zona rural do Município de Novo Aripuanã, é na escola que ele está aprendendo a importância de preservar o meio ambiente, seja para quem vive na cidade ou na floresta.

E é lá, também, que ele encontra inspiração para se dedicar aos estudos e difundir todo o conhecimento que recebe na sala de aula. Isso, por sinal, ele vem fazendo muito bem. Glemerson foi um dos três estudantes brasileiros selecionados pelo concurso Escrevendo o Futuro, promovido pela TerraCycle Brasil, do qual participaram centenas de alunos de 18 Estados brasileiros.

O concurso, realizado em 2012, reuniu redações sobre o consumo consciente, sustentabilidade e reciclagem de resíduos sólidos, tema do texto escrito por ele. Dois anos depois, ele garante que continua ensinando o que aprendeu. “Na minha redação falei sobre a importância de reduzir o uso, separar e reciclar os resíduos sólidos, não importa onde a gente mora. O lixo polui, seja na cidade ou na floresta. O que contei na redação foi o que aprendemos aqui todos os dias”, contou.

E ele não é o único. Outros 80 alunos da escola municipal Victor Civita, localizada dentro do Núcleo de Conservação e Sustentabilidade (NCS) da comunidade Abelha, construído pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) aprendem, na sala de aula, a importância de preservar para perpetuar, como conta o gestor da escola, José Rui Nunes Lemos. “A nossa proposta é dar a esses alunos um ensino diferenciado, pois eles vivem numa realidade diferenciada, dentro de uma reserva, no meio da floresta. Aqui eles aprendem, além das disciplinas tradicionais, atividades fundamentais para a vida ribeirinha, como a agricultura, que eles disseminam em casa”, relatou.

Grade


Um dos diferenciais da escola está na grade curricular. A disciplina Educação Ambiental foi incluída e aprovada pelos alunos. Nela, eles aprendem sobre a região e os efeitos da poluição ambiental e das mudanças climáticas. “É uma agenda fundamental não só para eles, que vivem na floresta e dependem dela, mas para todos, inclusive os alunos das cidades. Até porque o que fazemos reflete no mundo todo, não importa quanto tempo leve. Aqui, já plantamos uma semente”, declarou o gestor.

Adaptada para a vida na seca

Na escola municipal Victor Civita, o calendário escolar é definido de acordo com o movimento de subida e descida dos rios. Localizada às margens do rio Mariepaua, a escola fica fechada durante o auge da seca, quando os cursos d’água secam e até em pequenas embarcações fica difícil navegar.

Por conta desse isolamento imposto pela vazante nos meses de agosto a novembro, os 82 alunos de 6° a 9° ano estudam em período integral, em regime de semi-internato, com alternâncias de 15 em 15 dias, explicou o gestor da unidade, José Rui Nunes Lemos.

“Como passamos quase metade do ano isolados, precisamos adaptar o calendário para dar todo o conteúdo letivo no ano. Dividimos as turmas em dois grupos, que se alternam de 15 em 15 dias. Eles passam 15 dias morando na escola, estudando em período integral, e depois 15 dias em casa”, explicou.

A experiência deu tão certo que o rendimento escolar melhorou e o envolvimento dos alunos nas atividades escolares, a exemplo da coleta seletiva de resíduos, como pilhas. Tem até quem não queira mais voltar para casa, caso de Glemerson Correia, 16. “Eu queria morar aqui, mas o professor não deixa”, brincou.