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Amazônia
Destinação do lixo

Educação ambiental nas escolas pode ser a solução para acabar com lixões na Amazônia

Após seis anos, municípios ainda não conseguiram colocar em prática a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Para o ambientalista Gilberto de Paula Pinheiro, educação ambiental desde cedo poderia mudar essa realidade no futuro 16/05/2016 às 04:05 - Atualizado em 16/05/2016 às 09:56
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Gilberto de Paula Pinheiro, presidente da Academia Internacional de Letras Ambientais da Amazônia (Foto: Antônio Menezes)
Luana Carvalho Manaus (AM)

A lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) continua sendo letra morta em toda Amazônia. O problema da destinação de lixo continua representando um grande desafio aos municípios do Amazonas.

Reportagem de A Crítica publicada neste segunda-feira (16) mostrou que, após seis anos do PNRS, nenhum município do Estado conseguiu pôr seus planos em prática.

Sobre o assunto, o presidente da Academia Internacional de Letras Ambientais da Amazônia, Gilberto de Paula Pinheiro, também desembargador do Tribunal de Justiça do Amapá (TJ-AP), falou ao Portal A Crítica sobre o tema.

Ele esteve em Manaus na última quarta-feira (11), onde ministrou uma palestra com o tema “A biodiversidade e o desenvolvimento econômico da Amazônia”, no encerramento do Seminário Internacional de Tecnologia e Sustentabilidade (Sintes).

Por que os municípios desta região têm tanta dificuldade para implementarem seus planos?

Primeiro começa com a falta de conhecimento, pois 99% dos municípios não tem conhecimento técnico na área de direito ambiental. O segundo caso é questão de prioridade. O prefeito olha, vê que o asfalto não presta, que a população está pedindo água, esgoto, escola e saúde. Às vezes ele até sabe que precisa se adequar a isso, mas vi fazer o que? Geralmente eles deixam todos os assuntos ligados ao meio ambiente por último.  Ele faz o lixão fora da cidade, pouca gente passa e vê, mas ele não sabe que está contaminando o lençol freático, os rios e podendo matar igarapés.  

E de quem é a responsabilidade por essa falta de conhecimento técnico ambiental nos municípios?

Não digo que existe um culpado. São vários fatores. Mas acho que o papel do Ministério Público é importante neste contexto, não como órgão acusador, mas com órgão educador, para chegar a um consenso, propor ajustes de conduta. Quando se fala em questões ambientais, não basta apenas punir, porque só punir não traz resultados. Além disso, na Amazônia temos um grande problema em relação à logística.    

Qual seria a solução então, além da punição?

A educação. Temos que começar de baixo, desde a criança. Sempre prego que na Amazônia deveríamos ter em nossas escolas educação ambiental obrigatória. É preciso qualificar nossos professores, incentivar a conscientização ambiental.

Não é preciso ir muito longe para encontrar lixões clandestinos. Em Manaus, por exemplo, existem alguns, inclusive denunciados pelo Ministério Público. Falta fiscalização?

Com certeza. Os órgãos são deficitários. Se nas capitais a gente não consegue ter uma política efetiva, uma fiscalização que funcione por falta de investimento e pessoal, imagina no interior. 

As dificuldades são as mesmas em todos os estados da Amazônia Legal? 

Toda a região é desafiadora. Em outras regiões como sul e sudeste as distâncias são menores, e eles são mais ricos. Aqui não.  Nosso meio principal de transporte é embarcação, as distância são tão longas que às vezes é muito mais fácil pegar um navio e viajar para a Europa do que chegar em alguns municípios.