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Educação de indígenas chegará a 16 municípios do interior do AM

Secretaria de Estado de Educação (Seduc) abriu nesta quinta-feira (21), oferta para receber alunos aldeados em território das principais cidades do interior 22/03/2013 às 08:54
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Em encontro dos povos mayorunas, que vivem na Terra Indígena Vale do Javari, professor Gonçalo Mayoruna relatou a falta de escolas e livros na aldeia Lobo
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A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) abriu nesta quinta-feira (21) uma oferta de escolas a alunos residentes em aldeias e comunidades indígenas de dezesseis municípios. Ao todo, 83 localidades são cobertas pelas ações de educação escolar indígena apresentadas nesta quinta-feira.

Criado na comunidade rural Juivitera, localizada no rio Içana, a 700 quilômetros aproximadamente da sede do município de São Gabriel da Cachoeira, o professor de Matemática Trinho Paiva, da etnia baniwa, 30, conta que o isolamento geográfico do lugar onde morava foi um obstáculo à formação escolar dele. “Na comunidade, a escola só oferecia os primeiros anos do ensino fundamental. Com 10 anos me alfabetizei, mas fui obrigado a parar porque não tinha condições de ir para a cidade continuar os estudos”, lembra Trinho. São Gabriel da Cachoeira tem 37,8 mil habitantes, dos quais 95% são indígenas. São 23 povos indígenas divididos em aproximadamente 700 comunidades.

Foi por meio de um projeto de formação de professores indígenas realizado pela Seduc, o “Pirayawara”, que Trinho retomou os estudos, e se habilitou a dá aulas para as crianças da comunidade onde morava. De lá pra cá, o professor se graduou em Normal Superior e Matemática. Conhecido no município, o educador se elegeu vereador em 2012.

Membro do Conselho de Professores Indígenas do Alto Rio Negro, Trinho foi um dos conselheiros que participou dos debates promovidos pelo Conselho Estadual de Educação Indígena do Amazonas (CEEI-AM) neste mês. Para o professor, apesar dos avanços, o poder público, principalmente em nível municipal, ainda não dá a atenção a devida à educação escolar indigna.

Trinho propôs durante a reunião que o movimento indígena pressione o Estado brasileiro a criar um sistema nacional de educação indígena. “Enquanto não se criar um sistema nacional, vamos continuar nesse debate de que as prefeituras não têm orçamento para aumentar os investimentos na área”, sustentou o professor, que defende a adoção de um sistema efetivo de educação indígena em todos os municípios.

Prefeituras são omissas

As prefeituras não têm se envolvido o suficiente com o tema da educação indígena, segundo denuncia dos conselheiros de Educação Escolar Indígena do Amazonas.

Presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), o deputado Sidney Leite (DEM) concordou com as críticas aos gestores municipais. Segundo o parlamentar, a educação escolar indígena é prejudicada pelas disputas políticas no interior. “A nossa maior preocupação é com a descontinuidade das políticas voltadas para essa área. Isso reflete a falta de compromisso de muitos gestores municipais”, declarou o deputado.

O presidente do CEEI-AM, Amarildo dos Santos Maciel, avalia que a falta de políticas específicas, aliada ao desinteresse de gestores municipais, impedem o avanço da educação escolar indígena no Amazonas. “Muitas vezes é falta de interesse e também falta de uma política específica para a questão da educação escolar indígena. Falta de direcionamento de recursos para atender essa especificidade dentro da educação”, disse Amarildo.

Amarildo disse que na interação com o poder público, o CEEI-AM buscado sensibilizar as secretarias municipais de educação a ampliar suas ações na área da educação escolar indígena.