Publicidade
Amazônia
Amazônia

Empresa de reciclagem derruba árvores e moradores denunciam degradação de área verde

Os moradores do bairro do Puraquequara e Colônia Antônio Aleixo, na Comunidade Bela Vista, estão assustados com os efeitos que o desmatamento pode trazer para o meio ambiente 13/06/2012 às 08:02
Show 1
Área desmatada alcança às margens do lago do Aleixo, o que levantou a suspeita dos moradores de que houve invasão na Área de Preservação Permanente
maria derzi Manaus

Uma área verde de 11,4 milhões de metros quadrados localizada às margens do lago do Aleixo e igarapé Castanheira, na Zona Leste, está sendo totalmente desmatada pela empresa Concrecicle Comércio de Materiais Reciclados para construção.

Os moradores do bairro do Puraquequara e Colônia Antônio Aleixo, na Comunidade Bela Vista, estão assustados com os efeitos que o desmatamento pode trazer para o meio ambiente. 

De acordo com o fotógrafo Walter Calheiros, a área pertencia ao empresário João Farias que a vendeu para a empresa de reciclagem. Durante o feriadão de Corpus Christis, a empresa começou a desmatar a área. “Eles disseram que nem em dia comum a polícia ambiental apareceria ali, quanto mais no feriadão. Eles querem pagar R$ 5 mil às famílias que moram lá para sairem”, disse.

Walter disse que mesmo com os avisos de que o desmatamento está atingindo  a APA, a empresa não recuou e  continua acelerando os trabalhos. “Conhecemos aquela área como uma APA regulamentada por lei então  não pode ser desmatada”,disse Walter Calheiros.

Na tarde desta terça (12), A CRÍTICA esteve no local e verificou que a área está totalmente destruída e desmatada. Uma escavadeira estava sendo utilizada para realizar a terraplanagem do solo, que está em avançado processo de desmatamento.  A devastação da floresta, naquela área, está chegando às margens do lago do Aleixo, ação que pode provocar, entre outras coisas o assoreamento do lago, prejudicar o pescado, além de expulsar espécies animais.

O pescador Aldemir Rodrigues Serrão está preocupado com a situação. “O que nós tememos é que eles desmatem essa área toda  e  joguem o barro no lago, matando os peixes. Essa área é ambientalmente importante. Era um  verde muito bonito, mas agora está tudo destruído”, lamentou.

Aldemir disse que  os comunitários obtiveram a informação de que a área é protegida. “Eles disseram que ninguém que está aqui tem direito  de desmatar essa área, de fazer costrução, nada nessa área. E, agora vem essa empresa e acaba com tudo num instante. Nossa presidente acabou de assinar uma lei e no mesmo dia eles começaram a desmatar aqui”, disse, Aldemir.

O pescador, que vê a destruição bem em frente a sua casa-barco, disse que as autoridades deveriam tomar providências.  “É uma aberração que essa área toda seja acabada. O cara chega, mete a máquina, não quer saber se vai prejudicar ninguém. Estamos pedindo socorro das autoridades para que não deixe que essa mata seja acabada”, disse o pescador.

A reportagem tentou contato com a empresa Concrecicle Comércio de Materiais Reciclados para construção por meio do telefone 3615-38XX, mas não obteve resposta.

Segunda denúncia de agressão
Em fevereiro deste ano, o lago do Puraquequara e  o igarapé do Castanheira – exatamente na mesma região da área verde desmatada agora – foram alvo de discussões,  quando foi atestado  um processo de contaminação das águas por coliformes  fecais, substâncias de materiais industriais e material em decomposição.

 A fonte de toda poluição é o esgoto da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), que deságua diretamente no lago. 

A  Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas) informa que expediu uma Licença Municipal de Instalação (LMI) em nome da Concrecicle Comércio de Materiais Reciclados , mas não autorizou a intervenção em Área de Preservação Permanente (APP). Adverte que se houve destruição desta área e contribuição para o assoreamento do lago, provavelmente a empresa licenciada não obteve o controle efetivo do recurso ambiental. Segundo a Semmas, é obrigação do licenciado realizar o controle da atividade. Em breve uma  equipe de técnicos emitirá um laudo  das constatações.

Sobre o esgoto  da UPP, a Semmas  informa que  quem deve prestar esclarecimentos  é o órgão estadual responsável pela construção e pelo licenciamento ambiental da Penitenciaria do Puraquequara e que a UPP não foi licenciada pelo órgão do município.