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Energia solar transforma a realidade de ribeirinhos do AM

Parceria entre Schneider Electric e a FAS levou eletricidade às comunidades Tumbira e Santa Helena, que ficam na RDS do rio Negro 06/11/2012 às 09:35
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Marcos Garrido é um dos moradores que foram capacitados para atuar como técnico das placas solares nas comunidades
Florêncio Mesquita ---

Cinquenta e oito pessoas de 17 famílias ribeirinhas que moram na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do rio Negro, a 25 quilômetros de Manaus, passaram a ter energia elétrica 24 horas por dia.

Há mais de dez anos, moradores das comunidades Tumbira e Santa Helena na RDS Rio Negro tinham apenas quatro horas diárias de energia elétrica fornecidas por um gerador movido a diesel. O equipamento consumia, em média, 1,2 mil litros de combustível e jogava 1,3 toneladas de dióxido de carbono (CO2) no ar, poluindo o meio ambiente.

Há cinco meses, a comunidade ‘ganhou’ um projeto inovador de energia limpa gerada por meio de placas solares com um sistema automático que armazena energia em baterias autorecarregáveis que adaptam a tensão para o consumo residencial. O programa foi implantado pela empresa internacional Schneider Electric, especialista em geração de energia, em parceira com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS).

Além de sistema anterior de energia ser prejudicial ao meio ambiente, a rede elétrica que existia na comunidade também era precária e oferecia risco de curto-circuito e incêndios. A empresa Schneider doou todos os equipamentos para substituir o que existente no local. Dois moradores foram capacitados com o curso de instalador elétrico residencial para usar o conhecimento adquirido em Manaus, na própria reserva.

O serviço de troca envolveu desde o interruptor, lâmpadas e fiação até os postes de iluminação pública. A substituição dos equipamentos gerou uma economia de 1,5 mil waltts de energia que é revertida para o consumo das residências. “Antes dependíamos de um eletricista que vinha de Manaus. Hoje nós mesmos fazemos o serviço, com padrão de qualidade”, disse Marcos Renato Garrido, 19, um dos dois eletricistas recém-certificados da comunidade.

Outra realidade

A implantação da energia limpa mudou a realidade da reserva. Os moradores não tinham como armazenar alimentos em geladeiras ou freezers ou usar aparelhos eletrônicos. Água gelada era obtida apenas durante algumas horas. Hoje, os moradores se orgulham de atos comuns para quem mora na cidade: acionar um interruptor, assistir televisão ou ligar um ventilador.

A mudança também levou um número maior de visitantes para a comunidade Tumbira, que sobrevive do turismo sustentável. O único comércio do local passou a vender mais, principalmente com a comercialização de bebidas geladas.

Para o presidente da Schneider Electric do Brasil, Tânia Consentino, o projeto prova que é possível, com os parceiros certos, transformar uma ideia em um projeto prático que pode ser executado em pouco tempo. O presidente da comunidade Tumbira, Roberto Brito Mendonça, diz que a iniciativa melhorou a qualidade de vida das pessoas que vivem na comunidade. “Nossas vidas foram transformadas nos últimos cinco meses. Isso mostra que é possível ter energia limpa e renovável sem desmatar a floresta”, disse.

Segundo o superintendente da FAS, Virgílio Viana, o projeto é um a realidade e está em funcionamento pleno sem apresentar nenhum problema. Ele explica que muitas comunidades no Amazonas ainda não têm energia elétrica e o projeto desenvolvido na RDS rio Negro pode ser aproveitado pelo Governo do Estado e pela Eletrobras Amazonas Energia em outros locais.