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Estudo aponta que a genética está diretamente ligada a contração de malária

 Em 2011 mais de 61 mil pessoas foram infectadas pela malária no Amazonas, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) 01/06/2012 às 09:32
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Dr. Marcus Lacerda coordena o estudo pela UEA e Fundação de Medicina Tropical
Mariana Lima Manaus

Parece impossível, mas não é: algumas pessoas podem ser imunes à malária. Independente da transmissão feita pelo mosquito, algumas pessoas não contraem a doença por que não têm predisposição genética para isso. É o que indica um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em parceria com a Fundação de Medicina Tropical (FMT).

A pesquisa indica que a possibilidade de identificar as pessoas que possuem maiores chances de contrair ou não a doença está diretamente ligada ao tipo sanguíneo, o que pode facilitar, daqui a alguns anos, um tratamento mais efetivo para a doença.

Durante cinco anos, aproximadamente 800 pessoas de uma comunidade localizada no município do Careiro Castanho (a 83 quilômetros de Manaus) tiveram amostras de sangue retiradas para contribuir com o estudo. O doutor em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília em parceria com a Universidade de Nova York, Marcus Lacerda, que coordena o projeto, explica que a tipificação do sangue é o primeiro passo de uma longa caminhada de estudos.

Para isso, ele usou uma tipificação diferente do sistema ABO Rh, mais conhecido pela população. A tipificação Duffy, explica Lacerda, não tem relação direta com a mais usual e facilita o estudo da contaminação da célula pelo protozoário. Segundo estudos anteriores, os portadores de sangue Duffy Negativo não contraem malária do tipo Plasmodium Vivax, espécie mais comum no Brasil, devido à sua característica sanguínea. “As pessoas que possuem Duffy negativo tem uma espécie de ‘tranca’ na célula que impossibilita a contaminação”, explica o pesquisador.

O tipo Plasmodium Vivax é o mais comum em Manaus. Dados da FMT apontam que 99% dos casos registrados na capital amazônica no ano passado são desse tipo. O restante – 1% - é do tipo Plasmodium Falciparum. Estes protozoários são os dois causadores da malária mais comuns da região Amazônica. O site do Ministério da Saúde aponta ainda a existência de outros dois tipos de malária: a Plasmodium Malarie, pouco frequente no País; e a Plasmodium Ovale, que só existe na África.

Segundo o pesquisador, “há casos de pessoas que moram em áreas de contaminação, que possuem sangue Duffy Negativo, que nunca tiveram a doença e possivelmente não a terão”. Ele alerta sobre os outros fatores que podem propiciar a contaminação pela picada do agente transmissor da doença, o mosquito Anopheles, como o cheiro que a pessoa exala, a idade que possui, entre outros fatores. “Atualmente estamos estudando apenas a questão genética do indivíduo”, conclui.

A próxima etapa do estudo, segundo o pesquisador, consiste em avaliações de tratamentos durante a aplicação de dois tipos de remédios nos moradores de Careiro Castanho que contraíram a doença.

Ocorrência mundial

Cerca de 300 milhões de novos casos de malária e um milhão de mortes, a maioria em crianças com menos de cinco anos e grávidas africanas, são registrados no mundo a cada ano, conforme dados do Ministério da Saúde.

Novo tipo?

Segundo ele, apesar da característica peculiar das células do sangue tipo Duffy Negativo, estudos recentes apontam que algumas pessoas com esse tipo de sangue estão sendo contaminados pelo protozoário. "Estamos tentando entender o porquê", diz Lacerda.