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Amazônia
PESQUISA

Expedição encontra novas espécies de animais no Pico da Neblina (AM)

Pesquisadores informaram que coletaram mais de 700 exemplares de répteis e anfíbios de cerca de 100 espécies, a princípio, 10 delas são novas para a ciência 27/11/2017 às 20:03 - Atualizado em 28/11/2017 às 10:10
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Pesquisadores passaram cerca de 25 dias em campo no Pico da Neblina. Fotos: CMA/Divulgação
Álik Menezes Manaus (AM)

Onze pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) passaram 25 dias no Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, na região Norte do Amazonas, onde realizaram uma pesquisa inédita. Na manhã de ontem (27), no Comando Militar da Amazônia (CMA), os estudiosos divulgaram o resultado preliminar da expedição. Eles coletaram exemplares de espécies de répteis, anfíbios, aves e plantas que serão catalogados e encontraram até espécies de animais que são novas para a ciência.

O doutor Miguel Trefault Rodrigues, coordenador da expedição e professor titular da USP, contou que ao longo dos dias no Pico da Neblina, os pesquisadores tiveram a oportunidade de coletar espécies que não estavam catalogados na coleção brasileira e que os achados contam a história da região amazônica e que futuramente vão ajudar na formação de novos estudantes. “Amostramos uma área da baixa Amazônia que era uma lacuna para a gente de vários animais e plantas em nível de exemplares e depois, no Pico da Neblina, coleções absolutamente inéditas. Então, isso a gente não tinha nada em coleções brasileiras”, disse.

Os pesquisadores coletaram mais de 700 exemplares de répteis e anfíbios de cerca de 100 espécies, a princípio, segundo Trefault, 10 delas são novas para a ciência. Foram coletados também cerca de 200 espécimes de aves e uma lista com mais de 250 espécies registradas, registros de novos roedores e marsupiais, além de 350 amostras de plantas e mais de 1.500 exsicata (que é uma amostra de planta prensada e em seguida seca numa estufa). “Descobrimos coisas extremamente importantes com relação à relação dessas espécies com a Amazônia e com outras áreas da América do Sul, dos Andes por exemplo”, disse.


Pesquisador Ivan Prates mostra  jiboia verde, animal raro e pouco conhecida

O pesquisador destacou que as amostras serão importantes para a formação de novos profissionais e que o Brasil não mais dependerá do trabalho de outros países. Ela também afirmou que, no prazo de dois anos,  o resultado será publicados. “Tem trabalho para uma dezena de anos. Daqui a dois anos a gente vai estar soltando alguma coisa extremamente importante nas revistas científicas. Vamos descrever as espécies novas”, adiantou.

Para o pesquisador, após essas coletas o Brasil não depende mais de estudos e amostras de outros Países. “Isso nos da inteligência intelectual, a gente não depende mais de outros países”.

“Um dos objetivos que nos trouxe aqui é tentar reconstruir a história do passado do Amazonas e as relações que ela teve com outros biomas, durante os últimos glaciais, por exemplo, durante os períodos interglaciais”, disse o pesquisador Miguel Trefault.

Descoberta deverá ser ‘dividida’

O pesquisador Ivan Prates, da Universidade de São Paulo (USP), contou que, além dos pesquisadores coletarem amostras que serão importantes para a ciência brasileira, eles irão compartilhar com índios da etnia yanomâmi informações que irão ajudar na atividade de ecoturismo, que os indígenas estão se organizando para iniciar na região do Pico da Neblina. 

“Uma das coisas que a gente pode fazer enquanto pesquisadores é compartilhar um pouco do que a gente aprendeu sobre a fauna e a flora da região. Então, o que a gente espera é fazer e colocar um material onde a gente relaciona as espécies que a gente encontrou e a importância dela. Isso pode apoiar a iniciativa que eles estão organizando e trazer conhecimento aos turistas que vão passar por lá”.

Resultado surpreende envolvidos

A pesquisa foi Intitulada como “Traços Biológicos do Passado na Biodiversidade Presente da Amazônia do Norte”. Conforme os pesquisadores,  o trabalho coletou material animal e vegetal com o objetivo de entender e explicar a biodiversidade da região e, como resultado, descobrir novas espécies e quantificar as já existentes.

 O grupo foi composto por onze pesquisadores considerados como alguns dos melhores do Brasil, que integram o quadro da Universidade de São Paulo (USP), e que ficaram impressionados com o que viram. “O fato de que não reconhecíamos as espécies apesar de já ter visitado o Brasil inteiro.  Nunca havia acontecido isso conosco antes, foi surpreendente”, disse Ivan Prates.

O Comando Militar da Amazônia (CMA) colaborou com apoio logístico, transporte e alimentação durante todos os dias de expedição. Segundo os pesquisadores, sem a ajuda do exército a pesquisa não seria um sucesso.