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Famílias afetadas pela cheia no Amazonas ainda não receberam ajuda do governo

 Prejudicada pela subida da água dos rios há quase dois meses, população ainda aguarda recursos serem liberados 17/04/2012 às 08:05
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Cerca de 30% do território de Anamã, no Solimões, está embaixo d’água; Em 2009, quase 100% da sede da cidade foi afetada
Maria Derzi Manaus

Os prejuízos causados pela cheia que atinge o Amazonas já duram quase dois meses e a população, principalmente do interior, ainda não recebeu a ajuda de R$ 8 milhões, anunciada pelo Governo Federal no final de março.

De acordo com a Secretaria de Ações de Defesa Civil do Amazonas (Subcomadec), os recursos já estão à disposição do Estado e dependem da operacionalização do próprio Governo para serem liberados.

Até o momento, 11.178 famílias da calha do rio Juruá e de parte do Purus foram cadastradas. Ainda faltam 18.738. No início do período de cheia, a Defesa Civil identificou 27.599 famílias afetadas, agora já são 29.916 prejudicadas.

A previsão dada pela Subcomadec é de que até a semana que vem as famílias já identificadas como prejudicadas pela cheia, comecem a receber o valor de R$ 400, por meio do cartão “Amazonas Solidário”.

O benefício foi concedido pelos Governos Estadual e Federal. Enquanto isso, a Defesa Civil do Estado informou que dará continuidade ao cadastramento das famílias atingidas nas demais regiões do Amazonas, o que constitui a segunda fase do socorro emergencial.

As famílias mais atingidas serão beneficiadas com R$ 8 milhões, inseridos no total de R$ 82 milhões em recursos do Governo Federal e Estadual para atendimento a essa problemática no Amazonas.

Além do Cartão Amazonas Solidário, os investimentos serão divididos no projeto de recuperação de encostas em municípios mais atingidos pelas cheias dos rios; e R$ 44 milhões, para o programa “Água para Todos”, de acesso à água potável, sendo R$ 40 milhões com recursos federais e R$ 4 milhões de contrapartida estadual.

A demora na liberação da primeira remessa dos recursos, segundo a Defesa Civil do Estado, foi por conta da confecção dos cartões, chegada dos mesmos no Estado e envio das remessas ao interior para serem entregues para aos beneficiados.

Mais atingidos
Neste final de semana, mais seis cidades do interior do Estado entraram na lista de municípios em situação de emergência em virtude da cheia sendo, no médio Solimões, os Municípios de Careiro da Várzea  e Caapiranga; Uricurituba, no médio Amazonas; Nova Olinda do Norte, no Madeira; Itacoatiara, no médio Amazonas e Tapauá, na calha do Purus, totalizando 25 municípios atingidos.

Mais cidades prejudicadas
De acordo com o comandante da Defesa Civil, coronel Roberto Rocha, a previsão é de que, no total, 31 cidades decretem situação de emergência no Amazonas por conta das cheias. Até o momento, as 25 cidades atingidas representam o quantitativo de 29.916 famílias atingidas.

Os municípios de Envira, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, carauari, Itamarati e Juruá, na calha do Juruá; e Boca do Acre, Lábrea, Pauini, Canutama, na calha do Purus, já estão recebendo atendimento humanitário. Já os Municípios de Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Tonantins, Santo Antonio do Içá, Amaturá, na calha do Solimões; e, Borba, na calha do rio Madeira, ainda vão receber ajuda humanitária.

“As inundações maiores ocorrem, atualmente, em Atalaia do Norte, Tabatinga, e São Paulo de Olivença. Enviamos mais de 1.500 cestas básicas e kits de higiene. Nessa região que estamos atendendo, no Alto Solimões, há 4.200 famílias atingidas”, disse Rocha.

Previsão
Ainda nesta semana, o nível do Rio Negro, em Manaus, pode atingir a marca emergencial de  28,90 m. Ontem, chegou 28,49 m. Nos dois meses restantes de cheia, a subida dos rios pode  se intensificar, também no interior,  com chuvas ocorridas nas bacias da Amazônia e o curso d’água do Peru, elevando os níveis do Solimões, no Brasil.

Em 2009, ano em que o Amazonas registrou a maior enchente desde 1953,  um total de 58 municípios do Amazonas foram atingidos. Cerca de 335 mil habitantes, principalmente das calhas dos rios Solimões  e Juruá, que em 2012, apresentam os  maiores índices, foram prejudicadas pela subida dos rios. Desse total, 59,5 mil tiveram que sair de suas casas. Em 2012, essa mesma história poderá se repetir. Isso porque quase 11 municípios estão próximos de chegar à marca atingida em 2009.