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Amazônia
MEIO AMBIENTE

Fórum de Mudanças Climáticas define grupos de trabalho visando a Amazônia

Um ponto central da discussão no Fórum foi é o uso do REDD+ (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal), que, no Brasil pode atrair US$ 45 bilhões de dólares líquidos para a Amazônia até 2030 17/03/2017 às 05:00
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O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, instituição diretamente ligada à Presidência da República, foi realizado na última terça-feira (14) em Brasília / Foto: Divulgação
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Uma das grandes decisões tomadas durante o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, instituição diretamente ligada à Presidência da República, e que foi realizada na última terça-feira (14) em Brasília, foi a criação de dois grupos de trabalho dedicados à Amazônia. Com isso, a reunião deu um passo importante no combate ao desmatamento.

Um desses grupos é o coordenado pelo pesquisador sênior Mariano Cenamo, da ong Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que será o facilitador para discutir as “fontes de financiamento para a floresta”.

Coordenado por Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), o outro grupo tem como foco o “avanço do desmatamento na Amazônia”, em alta desde 2014.

A redução do desmatamento da Amazônia é o principal setor para o atingimento das metas nacionais assumidas na Convenção do Clima. A situação atual é preocupante pois o problema só cresceu nos últimos dois anos: em 2015 subiu 24%, e em 2016 o patamar de crescimento foi de 29% segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 Um ponto central da discussão no Fórum foi é o uso do REDD+ (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal), que, no Brasil, de acordo com modelagem econômica recente do Environmental Defense Fund (EDF), pode atrair US$ 45 bilhões de dólares líquidos para a Amazônia até 2030, se incluir captações junto ao mercado e os chamados offsets – quando um país ou setor produtivo compensa externamente emissões de carbono que não consegue zerar com recursos próprios. Uma oportunidade promissora que já está na mesa de negociações vem do setor de aviação civil, representado pela Icao (Organização Internacional da Aviação Civil), que se mobiliza para criar uma Medida Internacional de Mercado para compensar as emissões do setor por meio de offsets, incluindo o REDD+.

“Nos últimos dois anos o desmatamento cresceu e há certo consenso para estabelecer estratégias para reduzir esse problema e promover o desenvolvimento sustentável. A redução tem que ser atrelada ao desenvolvimento sócio-econômico senão os resultados não serão permanentes”, destaca o pesquisador sênior Mariano Cenamo, por telefone, para A CRÍTICA.

Sobre a importância do grupo de trabalho do qual será facilitador, o representante do Idesam disse que “a agenda de discussões vai ser principalmente voltada a aumentar o volume de financiamento que podemos destinar para investir nessa agenda de redução de desmatamento e conservação de floresta e à promoção de economia com base sustentável”.

Reunião

De forma prática, ele prevê que a primeira reunião do seu grupo deve ocorrer no próximo mês, possivelmente fora do Estado. “A reunião terá como elemento principal a discussão sobre possibilidade de utilização de mecanismos de mercado para financiar a conservação das florestas. Estamos falando do crédito de carbono que é uma modalidade de enorme potencial mas que está sendo desperdiçada porque o Governo Brasileiro se posicionou internacionalmente contrário a utilização desses mecanismos”, salienta ele. “O mercado de carbono existe há anos, mas o Brasil, de forma histórica, vem se posicionando contra isso. O grande objetivo do grupo de trabalho é debater essa posição e encontrar soluções para que aproveitemos o petencial de recursos através desses mecanismos de mercado. Nossa perspectiva é que consigamos reverter essa posição e abrir oortunidades de captação de recursos de mercado para financiar o Redd+, a conservação de florestas no Brasil”.

Aviação civil

Entre 2020 e 2030, a aviação civil terá de neutralizar todas as emissões das suas operações nos países que integram o Acordo de Paris. É um investimento de US$ 1,5 bilhão anual, equivalentes a 3 mil quilômetros quadrados de floresta preservada.

 “O Brasil precisa estar preparado para ocupar esse espaço, pensando no futuro do País, no cumprimento dos nossos compromissos climáticos e no fortalecimento de uma economia florestal que reduza o desmatamento ilegal, traga benefícios ambientais e impulsione o desenvolvimento social e econômico das comunidades que vivem na floresta”, finaliza Cenamo.

O que é a Convenção do Clima?

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, também conhecida como UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) ou Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (CQNUAC, em português), é um tratado internacional resultante da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), informalmente conhecida como a Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992.
Este tratado foi firmado por quase todos os países do mundo e tem como objetivo a estabilização da concentração de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera em níveis tais que evitem a interferência perigosa com o sistema climático.