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Fumaça de queimadas do interior do Pará encobre Manaus

Autazes, Borba e Maués, no Amazonas; Trairão, Itaituba e Jacareacanga, no Pará, produziram a fuligem que chegou a Manaus 08/08/2012 às 11:14
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Mapa do Inpe, gerado por satélite, demonstra a nuvem de fumaça nos municípios do Pará
Elaíze Farias Manaus

A nuvem de fumaça que vem encobrindo Manaus nos últimos dias (08) é proveniente de queimadas detectadas pelo sistema de radares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em três municípios do Amazonas – Autazes, Borba e Maués – e três do Pará – Trairão, Itaituba e Jacareacanga. “Identificamos nos nossos radares que a fumaça que está em Manaus está sendo levada pelo vento que vai pelo sudeste desses municípios do Pará e de alguns do Amazonas”, afirmou nesta terça-feira (07) ao jornal A CRÍTICA o coordenador de monitoramento de queimadas do Inpe, Alberto Setzer. Conforme Setzer, o índice de queimadas na Amazônia tende a piorar a partir deste mês e se prolongará até setembro e outubro devido o período seco.

De acordo com os dados do Inpe, o Amazonas registrou entre janeiro e ontem  um aumento de 15% de focos de queimadas em relação ao ano passado, mesmo levando-se em consideração o elevado volume de chuva registrada no Estado, que resultou em uma cheia recorde.

Os municípios do sul do Amazonas continuam sendo, contudo, os principais causadores de queimadas do Estado. Segundo Setzer, desde o último dia 4 houve intensificação de queimadas e focos de calor em Manicoré, Canutama, Humaitá, Lábrea, Novo Aripuanã, Boca do Acre e Apuí. Apesar disso, porém, a fumaça nestes sete municípios ainda não alcançou Manaus e a região metropolitana da capital.

A massa de ar quente e seca e a baixa umidade colaboram para piorar ainda mais o tempo na capital e em algumas cidades do interior. Segundo a meteorologista Lúcia Gularte, esta condição meteorológica, que causa índice elevado de radiação ultravioleta, é combustível para formação de queimadas e focos de calor.

 O meteorologista Ricardo Dallarosa, do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), disse que a névoa que ocorre em Manaus é um fenômeno bastante comum nesta época seca, embora muitas vezes passem imperceptíveis. No entanto, ele disse que, apesar de o Sipam não monitorar focos de calor ou queimadas, é "inegável que, durante a estação seca ocorrem queimadas em diversas partes da região. Isto pode estar contribuindo para a presença dessa névoa seca que se observa sobre a cidade".

Questionada sobre a ação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) em relação às queimadas, a assessoria de imprensa disse que nesta terça-feira uma equipe do órgão estava realizando um sobrevoo na capital e adjacências.

Já o Ibama iniciou há uma semana uma operação de combate a desmatamento no sul do Amazonas, concentrando-se especialmente no interior do município de Lábrea, divisa com Rondônia.