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Amazônia
Entrevista

General Guilherme Theophilo deixa o CMA e destaca seu trabalho na Amazônia

General de Exército deixa o CMA e destaca o seu trabalho na Amazônia, e ressalta o interesse dos jovens pela carreira militar, pelos valores como disciplina, camaradagem e respeito aos símbolos nacionais 16/04/2016 às 16:10 - Atualizado em 17/04/2016 às 00:00
Show general
O general Guilherme Theophilo Gaspar atuou por dois anos à frente do Comando Militar da Amazônia (foto: Antônio Menezes)
Acritica.com Manaus (AM)

O general de Exército Guilherme Theophilo Gaspar de Oliveira deixou, neste fim de semana, o Comando Militar da Amazônia (CMA). Ele atuou como comandante por dois anos e, de acordo com as regras da Força, a troca de comando faz parte da rotina. O militar, de 61 anos, ocupará  o Comando Logístico do Exército, em Brasília, e quem assumiu a  função dele foi o general de Exército Geraldo Antonio Miotto. Nesta entrevista, o general Theophilo fala das  experiências que viveu na região, do legado que deixa e do clima político brasileiro.

General, nos fale um pouco sobre a sua carreira como comandante do CMA. Quais as responsabilidades desse cargo? Há quanto tempo está nessa função?

Estou há dois anos no Comando Militar da Amazônia (CMA) e trago a experiência de seis anos comandando unidades do Exército na área da Amazônia Legal. As responsabilidades são muitas dada a dimensão territorial da faixa de fronteira. Tais responsabilidades vão além da defesa territorial, já que o Exército Brasileiro atua com Ações Cívicos-Sociais que acontecem paralelamente às operações que realizamos na região. Também atuamos com  outras instituições, como o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), na qual disponibilizamos militares do nosso efetivo, que foram treinados, e até o dia 4 de maio estarão realizando o recadastramento biométrico dentro de uma unidade militar não só para militares, mas também para qualquer cidadão amazonense.

Como se dá a troca de comando? Como funciona esse sistema de gerência?

A minha saída do comando acontece de forma natural dentro da estrutura organizacional do Exército Brasileiro, e está acontecendo em função do tempo na função, visto que é necessário que ocorra uma oxigenação. A escolha do comandante é feita pela antiguidade do posto que ocupa. Estou indo para o Comando Logístico do Exército, em Brasília, e quem assume a minha função é o general de Exército Geraldo Antonio Miotto, que já serviu na Amazônia e hoje volta com uma experiência muito mais abrangente, para dar continuidade às ações administrativas e operacionais na proteção, defesa e desenvolvimento da nossa região.

Como o senhor avalia a carreira militar no Amazonas? Ainda há interesse em segui-la?

Uma carreira forte e respeitada pela nossa atuação diuturna nas mais diversas regiões da Amazônia Ocidental. Isso pode ser visto no interesse dos jovens em seguir a carreira militar, conforme observamos nas seleções e concursos realizados. Podemos exemplificar, aqui na região, o concurso para ingresso nos Colégio Militar de Manaus, que conta com concorrência alta, o que demonstra uma procura pelos valores militares como disciplina, camaradagem e respeito aos símbolos nacionais, tais como a nossa Bandeira. Além disso, o Centro de Comunicação Social do Exército (CComSEx) também trabalha divulgando as nossas ações para aumentar, ainda mais, o interesse pela carreira e fazê-la conhecida.

O que o senhor considera que deixará como legado? Que mudanças trouxe durante os seis anos como comandante?

O meu legado na realidade é uma junção entre ações bem-sucedidas de comandantes anteriores com a minha experiência dentro do Exército e o amor pela região da Amazônia. Posso citar alguns programas que implantei junto com a minha equipe, tais como o Programa Amazônia Conectada e o Programa Pró-Amazônia. Temos, também, outros projetos importantes como, por exemplo, o Sistema de Monitoramento de Fronteiras. Todos buscam o desenvolvimento da região, baseado na sustentabilidade econômica e sem degradação do meio ambiente. A mudança mais significativa e que terá um impacto direto na população amazonense é a expansão do cabo de fibra ótica, que vai interligar Manaus a Tabatinga, que já está na sua segunda fase de execução na cidade de Tefé. Com esse programa, 52 municípios do Amazonas ficarão conectados pelo sistema de internet banda larga, mais rápida e barata em relação à atual existente, que é via satélite.

Na sua avaliação, do que a Amazônia precisa em termos de ação militar? O que pode ser melhorado?

O Exército já faz a parte dele na região amazônica cumprindo a sua missão constitucional de defesa da soberania nas áreas de fronteira da Amazônia Ocidental com as várias operações que efetuamos, tais como a Ágata, que acontece de forma conjunta entre as Forças Armadas e as interagências estaduais e federais. Contudo, isso poderia ser intensificado caso tivéssemos mais recursos distribuídos para a nossa região de fronteira, pois, assim, poderíamos investir de forma mais intensa na modernização da Força Terrestre, principalmente na logística, dada as dimensões territoriais do Estado do Amazonas, que é enorme e muito dependente, ainda, do transporte fluvial. Inclusive, as negociações para atenuarmos essa situação já estão em curso através do projeto de aquisição de aeronaves de asas fixas para o Exército Brasileiro.

Já iniciamos as tratativas enquanto estive à frente do CMA e agora, como Comandante Logístico do Exército, em Brasília, iremos criar uma Comissão Especial para as questões amazônicas, que terá como uma das pautas a aquisição dessas aeronaves visando expandir a capilaridade da logística no País e principalmente aqui na região Amazônica.

Como o senhor observa os clamores de intervenção militar no País? O senhor apoia?

 É compreensível que a população esteja insatisfeita com tantas reviravoltas políticas que o Brasil enfrenta no momento. O papel do Exército Brasileiro nessa conjuntura é respeitar a Constituição e agir de acordo com os preceitos da democracia. Atuaremos, se preciso for, para garantir o cumprimento da lei e a manutenção da ordem e o perfeito funcionamento das nossas instituições.

Que mensagem deixaria para a população que enxerga no Exército uma solução para a crise?

O Exército Brasileiro é visto por muitos como uma instituição de extrema confiabilidade. Um exemplo disso foi a pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas em 2014 e 2015, em sete Estados do Brasil, incluindo o  Amazonas, e que, constatou as Forças Armadas como possuidoras de alta credibilidade perante a população brasileira. Em 2014, nosso índice de confiabilidade era de 64% e, em 2015, passamos ao índice de 68%. Ficamos à frente da imprensa e da Igreja Católica. Isso nos dá uma responsabilidade dobrada para com o povo brasileiro.

Até que ponto o CMA pode agir no que diz respeito à crise política do Brasil?

Muitos de nós sabem que o País está vivendo as consequências de uma crise que tem três componentes importantes: o político, o econômico e o ético-moral. Dentro desse contexto, temos certeza de que é apenas uma questão de tempo para o Brasil criar as condições necessárias para reverter essa situação e reencontrar novamente o caminho do seu desenvolvimento. Até mesmo porque, dentro do ponto de vista econômico, o nosso País tem grandes responsabilidades internacionais.

Que mensagem deixaria para os governantes?

 A mensagem que eu deixaria é principalmente para os governantes que estão fora da Amazônia e ainda não perceberam a importância que esta região possui para o resto do País. Diante disso, e apesar de tudo o que fizemos e continuaremos a fazer pela Amazônia, reconheço que eu, enquanto comandante do CMA, não consegui com que essas autoridades virassem os olhos com a atenção merecida para a nossa região, nem descentralizassem mais os investimentos que, em sua maioria, ficam concentrados nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Perfil

Guilherme Theophilo

Idade:61

Nome: Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira

Estudos: Curso Superior em Processamento de Dados, pela Faculdade Hélio Alonso e Pós-Graduação em Engenharia de Sistemas pela Universidade Estácio de Sá, ambos no Rio.

Experiência:  Em seu vasto currículo, destaca-se o de  Integrante do Grupo de Trabalho da ONU na Suíça.