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Grupo caminha cinco dias para ir à assembleia

Yanomami da aldeia Porateri, na região do rio Catrimani (RR), dizem que garimpo aumentou no local 02/11/2012 às 17:27
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Índios da aldeia Porateri enfrentaram longa jornada pela mata para denunciar presença de garimpeiros em suas terras
Elaíze Farias Aldeia Watoriki, Barcelos (AM)

Entre os 700 indígenas yanomami vindos de diferentes comunidades para assembleia da Hutukara, muitos se deslocaram por terra, em jornadas de vários dias. Um deles foi um grupo proveniente da aldeia Porateri. Trinta e dois caminharam cinco dias pela floresta fechada para denunciar a presença de garimpeiros em suas terras. Conhecedor da mata, o grupo sabia onde se alojar e escapar de ataques de onça e cobra.

“A gente gastava 12 horas de caminhada. Quando nossa perna cansava, parava para descansar na tapera. Dormia três horas e depois recomeçava”, contou Kasua Adnaldo Yanomami, 25, morador da comunidade Porateri, na região do rio Catrimani, um da das áreas com maior concentração de garimpeiros da terra yanomami.

O esforço do grupo tem um motivo grave. Segundo Kasua, a presença de garimpeiros aumentou e tem provocado conflitos com os indígenas. Um dos episódios recentes aconteceu em agosto, quando dois garimpeiros chegaram na região conhecida como Missão Catrimani, próximo da sua comunidade. Sua presença provocou tensão com os índios.

“Há 20 anos que tem garimpeiro na nossa terra, mas parece que agora chegaram mais. Temos medo de pegar malária, gripe. A gente já tem muito sofrimento por lá”, disse.

O professor Huti Valdomir Yanomami, 28, que ministra aulas em sua comunidade, disse os garimpeiros estão entrando pela região do rio Araparis e tem sido comum ouvir ruído de avião. “Não sei se eles fizeram novas pistas. Viemos pedir apoio da Funai para que ela investige o que está acontecendo. Queria que a Funai se mexesse e fizesse o trabalhjo dela”, disse Huti.

Conforme Huti, os garimpos ilegais prejudicam a caçada dos indígenas e contamina o rio e acumula lixo. “Isso só traz perigo para a gente. Nosso povo fica doente, criança fica com barriga estragada”, relatou.