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Grupo de Trabalho Amazônico lamenta a retirada das propostas feitas nas reuniões preparatórias

Presidente do Grupo de Trabalho Amazônico disse que o GTA e demais grupos que representavam povos indígenas e tradicionais conseguiram incluir no máximo a expressão “manejo responsável” no documento Brasil 16/06/2012 às 18:58
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Rubens Gomes, do GTA, revela que a única contribuição aprovada para o debate oficial é sobre “manejo responsável”
jornal a crítica Manaus

O descontentamento com a retirada de várias propostas apresentadas por grupos dos quais representava durante as mesas de debate que anteciparam a formulação do Documento Brasil, documento base apresentado pelo governo brasileiro para a  ‘Rio + 20’, levou o presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Rubens Gomes, a descrever o resultado como “frustrante.

Rubens Gomes disse que o GTA e demais grupos que representavam povos indígenas e tradicionais conseguiram incluir no máximo a expressão “manejo responsável” no documento Brasil. Ao serem analisadas pela ONU, todas as propostas de proteção para a floresta foram suprimidas.

“Grande parte de nossas contribuições não foram acatadas. Ficou como se estivesse tudo bem”, disse Gomes que, apesar de frustrado, vai participar do Rio + 20 em atividades paralelas.

Ele alertou para a necessidade de se criarem mecanismos de combate a extração ilegal de madeira  e salvaguardas como reconhecimento do sistema de certificação socioambiental para qualificar o manejo. “Mas que seja um manejo responsável. Por isso é importante discutir e alertar que nem sempre o que é legal é moral ou correto”, comentou.

Gomes também criticou a elaboração de um documento específico para a Amazônia. Para ele, o chamamento dos encontros que elaboraram o texto da Carta da Amazônia  foi feito de forma errada e fora do prazo. Isto inviabiliza qualquer intervenção no processo oficial de debates. A metodologia não era pra ser essa”, criticou.

Ele qualificou como “marketing” a iniciativa dos Estados da Amazônia em elaborar a carta. “Não dá para jogar para este tipo de evento essas demandas. Temos que fazer com outro direcionamento. Estou preocupado com essa coisa de ‘visibilidade’ sem que ela esteja associada à capacidade de implementação”, alertou.

O GTA é uma rede composta por 18 coletivos regionais em todos os Estados da Amazônia Brasileira e envolve mais de 600 entidades representativas de  agricultores, seringueiros, indígenas, quilombolas, quebradeiras de côco babaçu, pescadores, ribeirinhos e entidades ambientalistas, de assessoria técnica, de comunicação comunitária e de direitos humanos. A rede foi criada na repercussão da Conferência Mundial do Rio de Janeiro, a Eco-92.

Regina Melo - Escritora e jornalista
“A felicidade não pode ser comprada. Temos que começar a  praticar o consumo sustentável, de coisas recicláveis e reduzir o consumo para o necessário” , defende Regina Melo. Para ela, a ilusão de felicidade vivida pela sociedade com o aumento do consumo de bens é uma fonte de inquietação  que gostaria de ver debatida na Rio+20. Para ela, a compreensão  de que só é  feliz quem consume leva-nos a uma situação insustentável.  Ela  defende acordos que privilegiem as práticas sustentáveis entre os governantes . Diz também que sem frear o crescimento das indústrias e das práticas poluidoras da natureza, estaremos caminhando aceleradamente para o caos.

Carlos Durigan - coordenador da Fundação Vitória Amazônia (FVA)
“Tenho duas expectativas distintas sobre a conferência  Rio + 20. Uma é de ceticismo. O documento (preparatório) não reflete muitos dos anseios de boa parte da sociedade global e sim a visão de representações que têm seus interesses particulares.

A contar com a chancela dos principais governantes do mundo, o que fica sempre é o receio de que o compromisso que assumam está atrelado mais aos anseios do capital e de seus representantes do que da sociedade em geral.

O que mais me preocupa é que temos visto nos últimos anos discursos que não condizem com as práticas destes governantes, que privilegiam políticas voltadas a garantir o interesse de grandes corporações econômicas.

Um exemplo disto é o que vemos atualmente nos rumos que o governo brasileiro tem dado às políticas nacionais. Vimos recentemente no caso da discussão e mudanças promovidas no Código Florestal e a política que vem sendo desenhada para a Amazônia em especial, muito voltada a criar bases de infraestrutura a um desenvolvimento regional mais pautado na transformação socioambiental na região que não tem como elemento básico a sustentabilidade como premissa.

Por outro lado, minha segunda expectativa é de que será um momento oportuno para a sociedade retomar sua mobilização perdida nos últimos anos em torno das questões que nos afligem. São questões  como a desigualdade social, a degradação ambiental e novamente buscar promover as iniciativas de fato positivas para a construção de um futuro mais favorável para a humanidade no planeta. Creio que este é o ponto positivo deste momento”.

A Fundação Vitória Amazônica, hoje dirigida por Durigan, é uma das primeiras e mais ativas organizações não governamentais surgidas após a realização da conferência Eco-92, no Rio.