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Incêndio que atinge grande área verde na divisa do AM com RR foi provocado por ribeirinhos

As chamas tomaram conta da vegetação próxima às margens do Rio Jauaperi. O Corpo de Bombeiros do Amazonas enviou nesta terça-feira (26) quatro bombeiros especializados em combater incêndios florestais, além de equipamentos. Ao todo, há dez bombeiros no local  26/01/2016 às 17:34
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Nova equipe com quatro bombeiros chega ao incêndio de grandes proporções que atinge área verde na divisa do AM com RR
Rafael Seixas Manaus (AM)

Uma nova equipe com quatro bombeiros foi enviada na manhã desta terça-feira (26) para combater o incêndio de grandes proporções que está ocorrendo, desde a última sexta-feira (22), nas margens do Rio Jauaperi, que faz limite entre o Amazonas e Roraima. De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros, Janderson Lopes, o incêndio foi provocado por pessoas de comunidades que estavam no local realizando caça.

“Fizeram fogueira e depois deixaram queimando. O fogo se alastrou pela floresta e ganhou proporção alcançando novos pontos. A vista aérea nos aponta diversos focos, com bastante fumaça. Os focos mais intensos estão a alguns quilômetros da comunidade, mas existem focos próximos, tipo a dois quilômetros. Nossa equipe está combatendo esses primeiro. Estão no local com apoio da comunidade [Xixuaú], que é pequena. Trabalhando conosco no local tem de oito a nove pessoas, entre jovens, adultos e crianças. A sobrevivência no local se dá a base do turismo, sendo um lugar frequentado por turistas estrangeiros, segundo informações dos populares”, declarou.

Ainda segundo o tenente, o combate às chamas durará alguns dias, devido à quantidade de focos de incêndio. “A equipe está utilizando motobombas para drenar água do rio e usar tanto para o combate quanto para encher as bombas costais. O fogo é persistente e tem queimado principalmente a vegetação rasteira, justamente aquela camada de sedimentação orgânica, composta de folhas e raízes morta. Mesmo com o uso de abafadores, o fogo não cessa, sendo necessário borrifar água no local com o uso de bombas costais. O trabalho ainda vai se arrastar por alguns dias, pois como existem diversos focos, a equipe precisará enfrentar um a um”.

Equipe

Ao todo foram enviados dez bombeiros, mas, na última segunda-feira (25), partiram apenas seis, devido à limitação de peso e de quantidade de pessoas que a aeronave pode levar. Eles pousaram no lago Xixuaú, da comunidade Xixuaú, que fica em Roraima, na fronteira com o Amazonas, de onde partiram para combater o incêndio.

De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros, o coordenador da brigada em Novo Airão se prontificou a reunir brigadistas para atuar na área em conjunto com os bombeiros de Manaus.  

Todos os bombeiros levados ao local são especializados em combater incêndios florestais. Os equipamentos levados foram bombas-costais, abafadores, enxadas, motobombas, e demais materiais de proteção individual para atuar no incêndio. Ambas as equipes partiram numa aeronave monomotor Caravan Anfíbio da empresa Rico, locada pela Casa Civil do Amazonas.

Ocorrência

A denúncia sobre o incêndio foi realizada na sexta-feira (22) por Chiara Tosi na página do Corpo de Bombeiros no Facebook. Segundo a mesma, os ribeirinhos da região iniciaram o combate ao fogo, mas se encontravam sem condições de conter as chamas, dada a sua dimensão.

Ela informou ainda que não há comunicação telefônica no local, apenas Internet e por isso estava utilizando esse meio de comunicação. As coordenadas GPS foram dadas, saindo de Moura ao longo do Rio Jauaperi, para a localização do incêndio: 0º47’48.52” S  e 61º 33’9.37” O. Ela relatou que o fogo estaria a 70 km da Boca do Jauaperi.

Estatísticas

Conforme dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), o Amazonas já registrou até esta segunda-feira (25) 362 focos de calor, recorde para o mês de janeiro, desde que foram iniciadas as estatísticas em 1998. O recorde anterior foi em 2010, com 82 focos em todo mês.

Queimadas

Até o presente momento, o Corpo de Bombeiros do Amazonas já atuou em 35 ocorrências de incêndio em vegetação (entre pequenos e grandes focos, na capital e interior), número acima das sete ocorrências registradas em janeiro de 2015.