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Índios paumari eram mantidos em cárcere privado, diz coordenador da Funai

Falso pastor que levou o grupo e o proibia os indígenas de falar com outras pessoas e os ameaçava está preso em Lábrea 25/01/2012 às 17:07
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Falso pastor que levou índios paumari é preso
Elaíze Farias Manaus

O grupo de indígenas paumari levado por um homem que se identificou como pastor no município de Lábrea (a 610 quilômetros de Manaus) já retornou para a aldeia Crispim. Apenas a mulher que ele havia tomado como esposa e as filhas delas continuam na sede do município, para exames médicos.

Antônio Alenquer Pereira Pontes permanece preso na delegacia de Lábrea. Nesta quarta-feira (25) ele foi indiciado por crime de cárcere privado. Ele também deverá ser alvo de outras acusações.

O coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Lábrea, Armando Soares Filho, disse que o inquérito deverá ser entregue ao Ministério Público Federal e caberá a este entregar o caso à justiça. O portal acrítica.com tentou falar com o delegado de Lábrea, identificado como Sérgio, mas foi informado que ele não estaria no local.

“Hoje (25) eu pedi que se reforce a acusação do cárcere privado. Os índios me relataram que o falso pastor os ameaçava caso eles falassem com outras pessoas”, disse Armando.

Os 14 indígenas da etnia paumari ficaram quase duas semanas em poder de Pontes, desde que este os levou da aldeia.

Conforme Armando, Pontes conseguiu convencer os indígenas dizendo que conhecia o marido de uma mulher da etnia que estava preso em Humaitá e ele que poderia tirá-lo da cadeia.

“Depois ele começou a dizer que era pastor e cantor gospel. Ele se aproveitou da pouca informação dos índios e proibia eles de falarem com outras pessoas. Dizia que era filho de desembargador e que se os índios não fizessem o que ele mandavam o ‘pai´ dele se aborreceria e mandaria matar todos da aldeia”, comentou Armando, que ficou preocupado com o fato dos indígenas terem autorizado a entrada de um estranho na aldeia sem ter comunicado o fato à Funai.

A fragilidade do grupo também ajudou na facilidade de Pontes de convencer os indígenas, já que a apenas três pessoas eram adultas. O restante, eram menores de idade e crianças.

“Eles ficaram arrasados, sentidos, porque foram enganados”, comentou Armando.