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Amazônia
Cotidiano, pesquisa, Frutas amazônicas, Ingá, Inpa

Ingazeira pouco conhecida em Manaus é alvo de pesquisa do Inpa

Estudos revelam que a ingá-de-macaco pode ser empregada na recuperação de áreas degradadas, arborização urbana, paisagismo entre outros 03/08/2012 às 13:35
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Ingá-de-macaco tem potencial pouco explorado no Amazonas
acritica.com Manaus

Pouco conhecida em Manaus, a ingá-chichica ou ingá-de-macaco – como é chamada na cidade -, tornou-se alvo de estudos do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Afonso Rabelo. A pesquisa revela que a espécie Inga laurina (Sw.) Willd, possui uma grande facilidade em se propagar em qualquer terreno, é resistente a períodos prolongados de estiagem, solos compactados de baixa fertilidade além de ter crescimento rápido e certa imunidade a pragas como ervas de passarinho e doenças.

Possivelmente nativa da Amazônia, segundo o pesquisador, a espécie é comumente encontrada em florestas primárias e predominante em ecossistemas de terra firme, podendo ser encontrada na Reserva Ducke, localizada na Zona Norte de Manaus e em florestas de várzeas. É encontrada ainda, no sul da América do Norte, América Central e na América do Sul (em quase todos os Estados do Brasil). Esse tipo de ingazeira pode atingir até 15m de altura e, em áreas abertas, possui o caule curto, formando uma estrutura ornamental e com folhas perenes.

Entretanto, a falta de conhecimento sobre o potencial frutífero, paisagístico e ornamental da população de Manaus sobre essa espécie de ingazeira é grande, tornando-a esquecida. Contudo, em outras partes do Brasil, como a região Centro Oeste, ela é cultivada na arborização urbana.

“Em Brasília (DF), a espécie é bastante cultivada no espaço chamado de Bosque dos Constituintes, com 62 plantas”, observa Rabelo.

Potencialidades
A utilização dessa espécie é ainda aconselhada em sistemas agroecológicos, criação de abelhas, recuperação de áreas degradadas, sombreamento para culturas que não toleram luminosidade intensa e também na arborização urbana, paisagismo e estacionamentos para carros. “Essa espécie de árvore, por ser de rápido crescimento, é indicado como excelente planta para recuperação de mata ciliar”, comenta Afonso.

Para o cultivo da Inga laurina, deve-se colocar as sementes para germinar imediatamente após a coleta dos frutos maduros, pois elas não toleram a secagem. “Após a semeadura, à emergência das plântulas ocorrem a partir de duas semanas, com alta taxa de germinação. Os frutos do ingá-chichica, de um sabor adocicado são geralmente consumidos na forma in natura e são muito importantes na dieta de animais silvestres como os macacos, pássaros e roedores”, explica.

Outras informações sobre esta espécie e demais fruteiras nativas da Amazônia, podem ser obtidas pelo blog: frutasnativasdaamazonia.blogspot.com ou pelo livro “Frutas nativas da Amazônia comercializados nas feiras de Manaus-AM”, publicado pela Editora INPA - (92) 3643 3223 / 3642 3438 (fax) ou editora@inpa.gov.br - em março deste ano.