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Investigação de governo venezuelano é questionada por representante yanomami daquele país

Luis Shatiwë, da organização Horonami, da Venezuela, participou da assembleia da Hutukara, no Brasil 02/11/2012 às 18:19
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Luis Shatiwë, porta-voz de supostos sobreviventes do massacre, disse que investigação foi uma manobra do governo venezuelano
Elaíze Farias Aldeia Watoriki, Barcelos (AM)

No final de agosto, a notícia da morte de aproximadamente 80 yanomami que vivem no território da Venezuela por garimpeiros brasileiros provocou uma comoção nacional e internacional. Após a pressão de organizações, o governo da Venezuela (apesar da tímida resposta do governo brasileiro) realizou uma investigação para confirmar ou não a veracidade da denúncia.

Durante visita à aldeia Irotatheri, fronteira com o Brasil e local das supostas mortes, autoridades do governo venezuelano constataram que o massacre não ocorreu. Os próprios yanomami negaram o episódio.

Luis Shatiwë, secretário-executivo da organização yanomami Horonami (Venezuela), que foi o porta-voz dos três supostos sobreviventes do massacre e responsável por divulgar o ocorrido, diz que as autoridades de seu país fizeram vistoria na comunidade errada e que, na aldeia visitada, os indígenas foram orientados a negar tudo.

Shatiwë esteve na aldeia Watoriki durante a assembleia realizada no mês passado e repetiu os mesmos relatos que já fizera antes com a ressalva de que a vistoria do governo oficial não passou de uma manobra do governo venezuelano.

“Há um local chamado Irotatheri onde aconteceram mesmo as mortes. Ninguém do governo foi lá. Na aldeia que eles foram ficaram apenas um dia. Fizeram apenas um sobrevoo. Eles usaram de uma estratégia. Como possuem pessoas (índios) de referência na aldeia onde foram orientaram eles a não falar nada de presença de garimpeiro. Nem lá, nem em outro lugar. Por isso que os índios disseram que não havia garimpo, que não havia nada”, disse Shatiwë, em entrevista ao jornal A CRÍTICA.

Shatiwë falou em sua língua yanomami, traduzida por Armindo Melo, também pertencente à etnia e morador da aldeia Maturacá, no Brasil.

Luis Shatiwë contou que fez a sua própria apuração após a visita das autoridades e disse ter conversando com as pessoas abordadas. Ele conta que tem um novo ofício relatando a veracidade do ataque mas ainda não teve oportunidade de apresentá-lo.

“O yanomami que estava comigo disse que na comunidade visitada pelo governo da Venezuela o Ministério Indígena chegou primeiro. Ou seja, o governo foi muito esperto em se articular. Por isso saiu na mídia que visitaram a aldeia, mas na verdade eles só sobrevoaram”, afirmou.