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Amazônia
Meio Ambiente

Maior Bacia Hidrográfica do mundo tem apenas dois comitês e um em intervenção

Seminário de Recursos Hídricos, organizado pelo Observatório da Região Metropolitana de Manaus (ORMM), mostrou como é esse apequenamento 12/03/2018 às 13:57
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Tarumã tem comitê em estado de intervenção atualmente / Fotos: Arquivo/AC e Jair Araújo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A Bacia Hidrográfica do Amazonas é como um “gigante deitado em berço esplêndido” que não é valorizado como deveria, e que em vez de crescer parece, lamentavelmente, se apequenar. O gigantismo da Bacia Amazônica não é equivalente aos esforços feitos para a preservação ambiental. Na semana passada, o Seminário de Recursos Hídricos, organizado pelo Observatório da Região Metropolitana de Manaus (ORMM) mostrou como é esse apequenamento: Manaus tem apenas dois comitês de bacias: o do Tarumã-Açú e do Puraquequara.

Se apenas dois comitês já são pouco para a imensidão da maior Bacia Hidrográfica do planeta, uma decisão do Conselho de Recursos Hídricos paralisou por 60 dias as ações de um deles: o do comitê do Tarumã-Açú, decretando intervenção por, de acordo com o Regimento Interno, a entidade comandada pelo diretor-presidente Sérgio Miranda “não ter composição de diretoria”.
A decisão foi proferida durante a reunião do Conselho e aprovada com 15 votos a favor. Também foi comunicada a criação de uma Câmara Técnica para elaborar, em até 60 dias, eleição para a escolha da nova diretoria executiva do colegiado, que será integrada por cinco membros, sendo eles representantes da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA). 


O ex-diretor-presidente do comitê do Tarumã-Açú, Sérgio Miranda / Foto: Jair Araújo

“Me sinto um pouco entristecido porque todos os anos de trabalho foram por água abaixo. Criei um comitê emergencial interno para analisar a crise no comitê. Desde o ano passado tentamos com os representantes legais fazer com o que comitê pudesse funcionar. E, após essa decisão, ainda estou buscando  estratégias para ver como mudar essa situação”, comentou Miranda.    

Mais comitês

Independente da intervenção, uma espécie de consenso entre os envolvidos com o segmento setor hídrico é que apenas dois comitês de bacias é pouco para a região. 
O diretor do Comitê da Bacia do Rio São Francisco, Melchior Carlos do Nascimento, que esteve na capital  durante o Seminário de Recursos Hídricos para falar sobre a experiência tendo em vista a realidade na sua região, comentou que no Amazonas o que chama atenção é que apesar de estar na maior Bacia Hidrográfica do mundo, “infelizmente, o Estado ainda não possui, em termos de gestão de recursos hídricos, uma realidade amadurecida”. 


Melchior Carlos do Nascimento, do comitê da Bacia do Rio São Francisco / Foto: Jair Araújo

Há apenas dois comitês de bacias constituídos no Amazonas, e o mais amadurecido é o do Tarumã-Açú, presidido pelo Sérgio Miranda”, completa Melchior. “O Amazonas deveria ser o grande protagonista e liderar o debate sobre a gestão dos recursos hídricos no Brasil dada a sua importância. Qualquer pronunciamento do estado não é ouvido apenas pelo País, mas por organismos internacionais”, frisa o diretor. 

Um terceiro comitê que seria bem vindo para destacar a importância dos recursos hídricos seria o do Mindu, de acordo o deputado estadual Luiz Castro, presidente da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CAAMA).

“Podemos expandir para comitês mais amplos como da bacia do Mindu, que é a única que tem recursos federais para recolocar residências às margens dos igarapés e uma recuperação, ainda que não total, da qualidade da água. Este é um comitê urgente. Bacias como a de Educandos são fortes, mas acho que as pessoas que moram nem acreditam mais que, um dia, ele possa ser recuperado. Mas temos que acreditar que, no futuro, isso vai ser possível”, afirmou.

Frase

"O Amazonas deveria liderar o debate sobre a gestão dos recursos hídricos no Brasil”

Melchior Carlos do Nascimento, diretor do Comitê Bacia S. Francisco

 

Mais chuvas nos próximos dias

O balanço mais atualizado da enchente deste ano no Amazonas, divulgado pela Defesa Civil do Estado, mostra que a cidade de Apuí segue como a única em situação de Emergência. Ao todo, 300 famílias do Distrito de Sucundurí (a 100 quilômetros da sede de Apuí), foram afetadas pela inundação. Desse total, 54 ficaram desabrigadas e desalojadas. Parte está em casas de parentes e outra, em uma escola e no Centro Social da cidade.

A Defesa Civil Municipal prestou o primeiro atendimento às famílias com ajuda humanitária e o deslocamento para as áreas seguras. Já a Defesa Civil do Estado enviou técnicos para avaliação e levantamento de necessidades.

Um total de seis municípios estão em estado de alerta, todos da calha do rio Madeira: Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba, Nova Olinda do Norte e Manicoré (que já contabiliza 327 famílias afetadas em 11 comunidades, e onde técnicos da Defesa Civil foram enviados ao município para avaliação). Há 12 cidades em estado de atenção, sendo seis da calha do Purus (Boca do Acre, Pauiní, Lábrea, Canutama, Tapauá e Berurí) e outros seis da calha do Juruá (Guajará, Ipixuna, Eirunepé, Envira, Itamarati e Carauarí). 

O Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) indica precipitações acima da média no próximo trimestre para as regiões do Juruá e Purus e as previsões meteorológicas são de mais chuvas para as próximas duas semanas. 

Ações

A diretoria de Geração Distribuída da Eletrobras Distribuição Amazonas reuniu durante a semana com representantes da Defesa Civil do Estado, para tratar sobre o plano de contingência da Distribuidora, que tem o objetivo de realizar ações preventivas, para que não ocorra nenhum tipo de acidente referente à energia elétrica durante o período de cheia.

Em números

30%

Acima do esperado é o quanto choveu, somente na primeira quinzena de fevereiro, no município de Boca do Acre, cidade distante 950 quilômetros de Manaus e que é  referência da calha do Purus: foram 187 mm de chuva.

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