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Maioria dos barcos na Amazônia não têm registro, diz especialista

Um número indeterminado, mas grande, de barcos que trafegam na Amazônia não tem registro e ninguém sabe se eles são seguros 30/11/2012 às 08:27
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Navegação na Amazônia precisa que armadores regularizem os barcos deles
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O Amazonas concentra um número indeterminado de embarcações que não têm registro junto a Marinha e que navegam sem condições mínimas de segurança. A informação do engenheiro naval e presidente nacional da Record – Certificação Naval, Joel Rocha Soares, revela que a falta de informações sobre embarcações que navegam diariamente pelos rios do Estado pode favorecer o registro de acidentes navais, uma vez que, não há como saber se elas seguem normas de segurança.

Conforme Joel, registros históricos mostram que grande parte dos acidentes que ocorrem na navegação foram de embarcações que desde a construção e manutenção não atendiam a normas de segurança ou sequer tinham projeto. Outro item que está ligado a acidentes navais é o excesso de peso e da violação das condições especificadas originalmente para as embarcações.

“Uma embarcação que comporta, por exemplo, 100 passageiros e está navegando com 300 é um risco muito grande de acidente porque não foi feita para isso. A reserva de flutuabilidade que ela teria para resistir a um acidente acaba. Um pequeno furo que ela pega no casco é suficiente para ela afundar”, disse.

O engenheiro naval comentou o assunto durante o 1º Seminário de Certificação de Embarcações (1º Certemb), realizado ontem, no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, em Manaus. O engenheiro esteve na cidade para discutir normas de certificação de embarcações e esclarecer padrões de segurança na construção naval a donos de estaleiros e construtores informais.

Para ele, o principal desafio é fazer com que os construtores informais e donos de embarcações se regularizem junto a Marinha. O engenheiro explica que existem duas linhas de pensamento sobre o assunto.

A primeira defende que as leis devem ser cada vez mais severas para obrigar as pessoas a fazer o registro e outra e sustenta que os meios de regularização precisam ser facilitados para incentivar a procura pela legalidade.

Ele prefere a facilitação. “O objetivo é que cada vez mais as normas sejam abrangentes e viáveis para que isso chegue até o dono de embarcação que está no povoado mais remoto. As leis têm que ser flexíveis para que o construtor artesanal tenha a iniciativa de regularizar sua embarcação. Sou favorável a simplificar os procedimentos”, disse.