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Maioria dos municípios do AM não tem plano para enfrentar desastres naturais e eventos climáticos extremos, diz IBGE

Apenas nove municípios afirmaram ter o planejamento para enfrentar desastres naturais. Outros 15 ainda estão em análise 14/11/2012 às 14:20
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Alagações foram registradas em diversos pontos da cidade
Elaíze Farias ---

Apenas nove dos 62 municípios do Amazonas possuem plano de prevenção e enfrentamento de desastres naturais e eventos climáticos extremos. Os dados fazem parte da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) divulgada nesta terça-feira (13) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Outros 15 estão em processo de elaboração.

A capital Manaus, uma das cidades mais afetadas pela cheia recorde de 2012 e que apresenta um alto índice de áreas com risco de deslizamento, especialmente na periferia, não está em nenhuma das listas do IBGE. O município de Anamã (a 165 quilômetros de Manaus), que ficou praticamente debaixo d´água na cheia deste ano, também não apresentou plano e nem informou que se está elaborando algum projeto, segundo o IBGE.

Os dados da pesquisa foram coletados no segundo semestre de 2011, segundo o disseminador de informações do IBGE no Amazonas, Adjalma Nogueira. A pesquisa foi baseada no relato das próprias prefeituras.

Cheia

Nogueira chamou atenção para o pouco número de municípios com um plano de prevenção e enfrentamento diante de um contexto onde é cada vez mais freqüente os casos de eventos climáticos extremos, com cheias e vazantes recordes.

“O plano estratégico deve contextualizar os problemas regionais. No nosso caso, temos casos de cheias e vazantes extremas e endemias. Estamos periodicamente com problemas de risco de desastres naturais. Então é necessária que seja criada uma estratégia para isso”, disse Nogueira.

Os nove municípios que informaram possuir plano de enfrentamento de desastres naturais são Amaturá, Benjamim Constant, Boa Vista do Ramos, Borba, Caapiranga, Jutaí, Nhamundá, São Paulo de Olivença e Tonantins.

Os 15 que estão em processo de elaboração são Atalaia do Norte, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Codajás, Juruá, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Santa Isabel do Rio Negro, Uarini e Urucará.

Careiro da Várzea também foi um dos mais afetados pela cheia deste ano. Muitas famílias tiveram que ser deslocadas de suas casas e foram alojadas em balsas alugadas pela Defesa Civil Estadual.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) disse que o Plano de Redução de Risco de Deslizamento para Manaus está em processo de elaboração e em etapas. Após a conclusão do plano é que a Defesa Civil iniciará a vista nas áreas consideradas de risco. A primeira fase, segundo a nota, foi iniciada em 2011, quando foi realizado

Na primeira fase do processo, iniciada em agosto de 2011, foi realizado o Mapeamento Geológico de áreas de risco em Manaus, juntamente com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). A segunda etapa é a organização dos dados coletados e elaboração de mapas e laudos. Segundo a prefeitura, o CPRM vai concluir e entregar o material no final deste mês.

Somente após a conclusão deste material é que a Defesa Civil poderá começar a visitar as residências consideradas de risco e quantificar as famílias, que é a terceira etapa. Conforme a prefeitura, o plano também se estenderá à ocorrência de alagações e desabamentos.

 Anamã

Cidade que ficou quase 100% debaixo d´água na grande cheia de 2012, Anamã ainda não tem plano. O prefeito Gecimar Pinheiro, que foi reeleito, afirmou que somente em 2013 é que a elaboração será produzida, após audiências públicas, discussões na Câmara Municipal. A ideia de transferir a sede para uma área 300 quilômetros acima da atual está mantida.

“Houve uma grande enchente e depois veio o processo eleitoral. Vamos iniciar a elaboração do plano agora. Estamos buscando novas soluções para a cidade. Temos um contato em Brasília que cuida de projetos e vamos manter também contato com a Defesa Civil Estadual. Estamos contatando engenheiros, topógrafos e demais técnicos”, disse.

Pinheiro afirmou que “é difícil mudar uma cidade de um canto para outro” e que esta medida “mexe com a opinião pública”. “Se tiver outra cheia grande no outro ano vai alagar tudo de novo, mas estamos correndo para evitar isso. Nosso caso é muito complexo. Não dá para resolver de uma hora para outro. E vamos precisar de  apoio dos governos estadual e federal", afirmou.