Publicidade
Amazônia
Amazônia

Mais de 20 mil moradores do Careiro da Várzea, no interior do AM, começam a deixar suas casas

Além da relocação da população, fazem parte do protocolo de calamidade pública o oferecimento de alimentação e segurança 18/05/2012 às 07:37
Show 1
Casas, estabelecimentos comerciais, bairros inteiros estão debaixo d'água no Careiro da Várzea
Maria Derzi Manaus

A Prefeitura do Municipal de Careiro da Várzea (a 29 quilômetros de Manaus) prevê que  a evacuação de mais de 20 mil vítimas da enchente  do rio Solimões comece, nesta sexta-feira (18), com a locação de flutuantes para atender aos desabrigados. Além da relocação da população, fazem parte do protocolo de calamidade pública o oferecimento de alimentação e segurança.

A vice-prefeita do município, Maria da Conceição da Costa e Costa, explicou que equipes da Defesa Civil municipal e estadual e Exército estavam nesta quinta (17) percorrendo as áreas mais atingidas pela cheia para verificar a situação das famílias. “De quarta-feira para quinta-feira, o número de famílias aumentou porque barcos  estão passando e jogando o banzeiro em cima das casas, o que piora a situação das palafitas que estão em perigo de desmorronar. Hoje, não temos mais como comprar madeira. Muitas famílias  já tiveram que subir o assoalho mais de duas vezes”, disse.

Um dos impasses para realizar a transferência das famílias para os abrigos improvisados  é a questão financeira. “Precisamos alugar  flutuantes porque agora não tem como construir nada aqui. O problema são os recursos. Estamos estudando como conseguir dinheiro  para podermos fazer essa locação. Já tivemos um grande gasto com a compra de madeira distribuída  a população e ainda não recebemos verbas  do Governo Federal”, diz a vice-prefeita.

Anamã
Na região do médio Solimões, o Município de Anamã (a 168 quilômetros) a retirada da população desabrigada já teve início, revelou o chefe da Defesa Civil, Augusto Leite. “A situação lá  atingiu o nível 4, o máximo em caso de defesa civil.

Temos 10.193 pessoas atingidas pela cheia, mas 8 mil estão desabrigadas. Estamos alugando barcos e balsas para alojar as pessoas. Como a enchente é gradual, a cada momento estamos realizando a transferência das famílias desalojadas”, disse.

Augusto  disse que Anamã   recebe recursos do Amazonas Solidário, do Governo do Estado, e a ajuda humanitária de mil sacolas de alimentos. “Vamos começar a receber a verba do Governo Federal no valor de R$ 396 mil, disponibilizados para compra  de combustível, aluguel e  alimentação”, disse.

Moradores reclamam  ajuda oficial
Em Manaus muitos moradores de áreas inundadas pelas águas do rio Negro estão em situação de gravíssimo risco porque a ajuda oficial ainda não chegou. É o caso dos moradores do beco São Francisco, no bairro São Raimundo, Zona Oeste.

Mais de cem casas do beco São Francisco  encontram-se alagadas e sem estrutura de palets para a construção de pontes, o que dificulta a circulação.

A situação mais grave é enfrentada pelas famílias que têm muitas crianças pequenas e idosos. A dona de casa Cristina Teixeira do Santos, 26, vive sozinha com quatro filhos pequenos, dos quais uma é portadora de necessidades especiais. Quando  a cheia se intensificou, ela não conseguiu madeira para o subir assoalho de casa e teve que derrubar uma das paredes do quarto para  permanecer no local com as crianças. “Estamos sem ter onde dormir. Minha cama, meu sofá estragaram,  tive de jogá-los fora. Agora, eu e meus filhos, só temos um ventilador, uma rede e esse assoalho improvisado onde nós dormimos”, disse.

O aposentado João Reis Filho,  83, pede ajuda  a todas as pessoas que vão à rua São Francisco. Ele vive sozinho e, além da surdez, apresenta doença respiratória, fato que o impede de sair de casa. Com a cheia, sua casa foi totalmente alagada e ele passa o dia na rede para se proteger das águas.

Calhas de rios têm situação diferente
No Município de Tabatinga, na região do  alto Solimões, a cota recorde foi registrada em  2009: 13,82 metros.  nesta quinta (17) o nível do rio estava em 13,20 metros e já em período de vazante.

O Município de Eirunepé, no rio Juruá, registrou a cota máxima em 2012: 21,10 metros. Neste quinta (17) o rio Juruá estava em 18,62 metros. O período é de oscilação conhecido como repiquete.

Na região do baixo Amazonas, o Município de Parintins registrou a máxima em 2009: 9,38 metros. Nesta quinta (17), o rio registrava o nível de  9,30 metros e ainda está  subindo.

No  Purus, o Município de Boca do Acre registrou cota máxima em 1971: 21,83 metros. Nesta quinta (17),  a cota era de 9,58 metros e o rio ainda está baixando.

Fonte:  Subcomadec