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Mais de 24 mil quelônios são soltos em municípios do Amazonas

Filhotes de tartarugas de quatro espécies foram soltos no município de São Sebastião do Uatumã, Itapiranga e Presidente Figueiredo. Ação é feita para compensar degradação ao meio ambiente devido a usina hidrelétrica de Balbina 26/02/2013 às 09:56
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Foram 24 mil quelônios de quatro espécies diferentes soltos em São Sebastião do Uatumã
Anderson Silva São Sebastião do Uatumã (AM)

Mais de 24 mil quelônios ganharam a liberdade neste domingo (24) em uma área que abrange 12 comunidades localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, envolvendo os municípios de São Sebastião do Uatumã, Itapiranga e Presidente Figueiredo.

Após passarem cerca de seis meses em berçários sob a supervisão dos membros do Centro de Preservação e Pesquisa de Quelônios Aquáticos (CPPQA), os 24.444 filhotes de tartaruga da Amazônia, tracajá, iaçá e irapuca/capirã foram soltos na Comunidade de Nossa Senhora do Livramento, no rio Uatumã e os municípios de Itapiranga e Presidente Figueiredo

A soltura de responsabilidade da Amazonas Energia é realizada desde 1998 para compensar os danos causados ao meio ambiente com a implantação da usina hidrelétrica de Balbina. É a 15ª vez que os quelônios foram soltos, por meio do Projeto Quelônios do Uatumã.


“No momento da implantação da usina hidrelétrica de Balbina houve um enchimento dos reservatórios e isso de alguma maneira afetou a população de quelônios que existia no rio Uatumã. Como compensação desenvolvemos o projeto de pesquisa e preservação, onde fazemos este trabalho com as comunidades. São mais de 20 comunidades envolvidas neste trabalho”, explicou o gerente de meio ambiente e sustentabilidade da Amazonas Energia, Tiago Flores.

Sob responsabilidade dos supervisores do CPPQA, todos os quelônios foram observados durante meses até a soltura, isso para evitar qualquer forma predatória e garantir que os bichos de casco se reproduzam.

“Nossa missão é proteger os quelônios dos predadores, principalmente o homem, porque os outros são naturais e não tem como evitar. Também trabalho com a conscientização da comunidade do Livramento de São Sebastião do Uatumã”, disse o agente de praia e responsável pelos quelônios, Adalberto Almeida, de 55 anos, que há 10 anos, ganha um salário mínimo para realizar os trabalhos a qual se diz um apaixonado.

“São quatro meses de luta e sempre fico monitorando as praias até tirar todos e levar para os berçários. Não podemos deixar que isso acabe, nossas famílias precisam desse trabalho. O que faço é uma coisa apaixonante”, declarou Adalberto.

Capacitação dos ribeirinhos

Para que haja uma conscientização dos ribeirinhos, 18 comunidades são atingidas com os trabalhos e cerca de 30 a 60 pessoas são capacitadas com o Curso de Conservação de Quelônios e Proteção de Praias, que visa orientar os trabalhos com os quelônios e conscientizar os próprios ribeirinhos quanto à caça predatória.

“Todos os anos, em junho e agosto, realizamos o curso de agente de praia para que os ribeirinhos manuseiem os quelônios, é a parte técnica de conservação da tartaruga até a soltura. Este ano foi o maior número de filhotes soltos, pois a meta é aumentar a população que foi reduzida com a caça predatória e venda. Até hoje estes animais são bastante consumidos”, revela o coordenador do projeto Quelônios do Uatumã, Paulo Henrique.


Com a capacitação dos ribeirinhos, a presidente da Comunidade de São Sebastião do Uatumã, Iracicleide Oliveira, comemora o trabalho desenvolvido e conscientização da comunidade com a preservação dos quelônios.

“Cada vez nossa comunidade se desenvolve mais e nosso objetivo é que cresça mais. Queremos mostrar para outras comunidades sobre a conscientização dos trabalhos com os quelônios e este trabalho é feito de coração”, afirmou.

Para que a usina de Balbina funcione regularmente, a Amazonas Energia têm que cumprir regras postas pelo Instituto de Proteção Ambiental da Amazônia (IPAAM), para isso todos os anos são realizados a soltura dos quelônios.