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Manaus: a capital em colapso

Especialistas afirmam, que caos é resultado de ausência de infraestrutura 05/06/2012 às 08:49
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Enchente expõe problemas de estrutura de Manaus
jornal a crítica ---

Redes de esgotos inundadas, ruas alagadas, interdição de vias, retirada de circulação de transportes, tráfego de veículos alterado, fechamento de comércios e de serviços. Este foi o efeito dominó causado não pela cheia, mas pela ausência de infraestrutura adequada para enfrentar o fenômeno hidrológico. Manaus tem condições de enfrentar uma próxima grande cheia sem sofrer os impactos e os transtornos? Para alguns especialistas sim.

Marco Antônio de Oliveira, superintendente do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), acredita que nas áreas afetadas do Centro de Manaus pode-se redimensionar a rede de esgoto. “O que acontece no Centro não é água do rio Negro, é o esgoto que não consegue sair. O rio entra pelas galerias, que ficam com águas pluviais e esgoto”, diz. Obras paliativas e emergenciais, com retiradas de pessoas em cima da hora, são apenas soluções imediatistas que não resolvem um problema histórico.

A avaliação é do urbanista Jaime Kuck, para quem está na hora de começar a se pensar em tecnologias de bombeamentos, adequações de redes de drenagens. “Vai demandar um trabalho muito complexo e investimentos. Recursos há, basta vontade política. Infelizmente, nossos gestores preferem investir em obras de grandes portes que dão visibilidade a seus governos transitórios, algumas até de menor prioridade, e que servem apenas para marcar sua gestão. Está faltando política de Estado, que transcende uma gestão. Em 2009 o mesmo problema aconteceu e não foi disponibilizado um centavo para obras de prevenção”, comenta Kuck. Segundo o urbanista, nada foi feito a não ser continuar com antigos programas de “saneamento” da paisagem social de áreas centrais de alta visibilidade para esconder o pobre e vender a ideia de uma cidade competitiva.

 “É preciso pensar além de pretensões políticas nocivas para quatro anos e executadas às pressas apenas no último ano eleitoreiro. As cheias acima das máximas registradas no passado são fato. Não podemos mais continuar priorizando o carro através de ponte bilionária que nos leva a pouca coisa, através de viadutos que nascem saturados, da ampliação da rede viária asfaltada em fundo de vale ou beiras de igarapés com desapropriação fácil e barata, mas que esquenta a cidade impedindo os fluxos naturais de ar fresco”, analisou Kuck, que é presidente do Conselho dos Arquitetos e Urbanistas do Amazonas (CAU/AM).

 MATRIZ INTERDITADA
O também arquiteto e urbanismo Bosco Chamma é menos otimista. Ele acredita que numa nova grande cheia “vai alagar novamente e que não tem jeito”. “A água vem pela tubulação. Quando a cheia é muito alta, penetra na galeria de drenagem”, diz. Faltando um mês para o fim do período de cheia, as águas do rio Negro não pararam de causar intervenções nas ruas da cidade, dessa vez radicais: o terminal da Matriz precisou ser interditado, transferindo 122 linhas de ônibus convencionais para a avenida 7 de Setembro, que teve o sentido invertido, permitindo o acesso direto à avenida Getúlio Vargas; a mudança causou a retirada de 58 ambulantes nesta via para facilitar a circulação de usuários de ônibus; e obrigou a proibição de estacionamentos em ruas como Simão Bolivar e Dez de Julho.