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Amazônia
Energia solar usina

Manaus terá a maior usina solar da América Latina

Geração de energia terá potencial para atender quase 4 mil residências, mas fornecimento será adicionado na malha elétrica de Manaus 01/07/2012 às 10:10
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O potencial do sol é descomunal e pode ser revertido em muitos benefícios para as pessoas
Elaíze Farias Manaus

Em dois anos, Manaus vai instalar a maior usina solar da América Latina, com potencial de 6MW e capacidade para capacidade para atender 3.757 residências, com um consumo médio de 154 kWh/mês. A usina será construída no entorno da Arena Amazônia (ex-Estádio Vivaldo Lima), bairro Flores, na Zona Centro-Oeste. O espaço inicialmente escolhido é a área onde funciona o cartódromo.

A geração de energia solar será adicionada na malha elétrica de Manaus, somando-se ao óleo combustível e diesel, à base hídrica (Hidrelétrica de Balbina), ao Linhão de Tucuruí (quando inaugurado) e ao gás natural (quando funcionar integralmente). Segundo Bittencourt, o grande benefício será ambiental.

“A vantagem é que a gente vai quebrar cada vez mais o uso da energia não-renovável e adicionar o uso renovável. Uma usina que poderia estar queimando combustível fóssil com 6 MW mais, vai estar deixando de queimar 6 MW menos”, disse Anderson Bittencourt, Bittencourt, vice-coordenador do Centro Estadual de Mudanças Climáticas (Ceclima), que tem como uma de suas funções contribuir para a formulação de políticas no setor de energias renováveis no Amazonas. O órgão é vinculado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS).

O projeto foi desenvolvido pelo governo do Amazonas a partir de estudos concluídos em dezembro de 2011 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com recursos financiados a fundo perdido pelo Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfK). Os recursos foram disponibilizados para as 12 cidades-sedes da Copa de 2014 e quatro capitais foram selecionadas.

Expansão

O projeto de energia solar em Manaus tem pretensões mais abrangentes. Sua proposta é expandir a construção de sistemas de geração de energia solar para 25 municípios do interior do Amazonas que estão fora do itinerário do Linhão de Tucuruí e da possibilidade de serem atendidos pelo Sistema Integrado Nacional por meio da usinas da calha do Madeira (Jirau e Santo Antônio).

“A usina em Manaus será uma vitrine da importância de a gente difundir e disseminar o uso da energia não só nas capitais mas em todo o interior. Ela também passará a ser um de itinerário turístico”, disse o vice-coordenador do Ceclima, vinculado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS).

Bittencourt aposta no interesse futuro da Eletrobras Amazonas Energia em recorrer aos estudos da UFSC, que possui um grupo de pesquisa em energia solar, que atestaram a viabilidade de geração de energia solar no interior do Amazonas.

Conforme Bittencourt, não se pode descartar o potencial brasileiro de hidroeletricidade, mas esta oferta já está sendo explorada com Belo Monte, Tucuruí e Itaipu. No interior do Amazonas, o sistema ideal seria Híbrido, que uniria os tipos Isolado e a Termoelétrica para que haja redução do consumo do combustível.

Atualmente, a maior usina solar do Brasil fica em Tauá, no sertão do Ceará, de propriedade do empresário Eike Batista. Ela tem potencial de 1 MW.

Hidrelétricas

Para Anderson, mais do que hidrelétricas, o Estado do Amazonas precisa de usinas solares. “Para a escala de demanda das cidades e comunidades do Amazonas, não precisamos de hidrelétricas. Precisamos de usinas solares e de usinas baseadas em biomassa. Existem características de determinadas regiões que não cabe uma hidrelétrica e é preciso buscar alternativas”, conta Bittencourt, vice-coordenador do Centro Estadual de Mudanças Climáticas (Ceclima), que tem como uma de suas funções contribuir para a formulação de políticas no setor de energias renováveis no Amazonas.

Conforme Bittencourt, não se pode descartar o potencial brasileiro de hidroeletricidade, mas esta oferta já está sendo explorada com Belo Monte, Tucuruí e Itaipu. No interior do Amazonas, o sistema ideal seria Híbrido, que uniria os tipos Isolado e a Termoelétrica para que haja redução do consumo do combustível

Municípios

Segundo a SDS, os municípios do Amazonas aptos a receber energia solar são Eirunepé, São Gabriel da Cachoeira, Carauari, Benjamim Constant, Tapauá, Envira, Fonte Boa, Jutaí, São Paulo de Olivença, Pauini, Uarini, Ipixuna, Itamarati, Barcelos, Beruri, Tonantins, Alvarães, Santo Antônio do Içá, Canutama, Maraã, Santa Isabel do Rio Negro, Japurá, Juruá e Atalaia do Norte. Conforme Anderson Bittencourt, a demanda de potencial destes locais estão abaixo de 6 MW.

 PIM

A usina de energia solar em Manaus terá aproximadamente 25.650 módulos fotovoltaicos (p-Si), 570 inversores, numa área total ocupada pela estrutura metálica de 44.913,15 metros quadrados.

Para a implantação, estima-se um investimento de R$ 40 milhões, que será dividido entre a Eletrobrás Amazonas Energia, Governo do Amazonas e investidores privados (cuja identificação não foi revelada). O planejamento prévio pretende montar os módulos no teto e a área inferior poderá ser transformado em estacionamento.

Os equipamentos serão importados, mas já existe plano para a liberação de incentivos fiscais que facilitem a fabricação de módulos e baterias no Pólo Industrial de Manaus Atualmente, o PIM possui tecnologia para fabricar inversores e controladores. “Vai ser criado um plano de atração de investimento das empresas para o PIM. Isso é um marco no Brasil. Não existe pólo industrial renovável no Brasil. Não existe sequer uma empresa no país produzindo módulos solares. Não precisamos mais precisar comprar na Alemanha, Índia ou China”, contou.

Sistemas

Os sistemas fotovoltaicos que existem são os Conectados à Rede, os Isolados, os Híbridos e as Usinas. Em Manaus, a energia gerada será por Usina Solar, que produz uma grande quantidade de eletricidade em um único ponto.

A energia da Usina não vai sair de uma rede para ser distribuída a uma determinada residência. Ela será adicionada ao sistema elétrico já existente.

Anderson Bittencourt diz que a Eletrobras apontou que em 2011 cerca 100 mil domicílios no Amazonas ainda não têm acesso à eletricidade

Miniusinas

A Eletrobras Amazonas Energia diz não existe projeto em andamento para os 25 municípios aptos a receber energia solar, mas informa que atende, desde julho de 2011, 12 comunidades isoladas com o projeto “12 Miniusinas com Minirredes e Sistema de Faturamento Pré-pago”, por meio do Programa Luz Para Todos, nos municípios de Novo Airão, Autazes, Barcelos, Beruri, Eirunepé e Maués. Este formado é considerado único o Brasil.

A empresa aguarda aprovação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para que 95 novas miniusinas do mesmo modelo sejam instaladas em outras localidades do Amazonas.

A concessionária também vai iniciar no município de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus) um sistema piloto de painéis solares em algumas residências. Adotando um sistema híbrido, o consumidor parintinense poderá utilizar energia fotovoltaica em determinado período do dia. Em um outro momento, ele utilizará a energia vinda das redes de distribuição de energia da Eletrobras.

A Eletrobras informa que já vem sendo desenvolvida a produção de energia elétrica a partir do etanol da mandioca, único no país. Uma usina instalada na Vila de Lindóia, município de Itacoatiara (176 quilômetros de Manaus), passará a produzir, ainda em fase experimental, o etanol da mandioca para alimentar geradores de energia que irão atender moradores daquela localidade.Posteriormente, a empresa planeja levar o mesmo formato de fonte de geração de energia elétrica para outros municípios do Amazonas e de outros Estados do Brasil.

Comentário:

Telma Monteiro – pesquisadora independente, autora do blog http://telmadmonteiro.blogspot.com.br/

“Um bom investimento do dinheiro público seria implantar e subsidiar energia fotovoltaica nos telhados das casas e jogar a energia excedente no sistema. Mas ainda não temos legislação que autorize. E as ações para isto são incipientes porque o governo não está financiando. Por este motivo está saindo mais caro. Se o governo pode financiar uma Belo Monte, poderia reservar uma parte do investimento para as concessionárias adequar sua tecnologia. As usinas são construídas para grandes consumidores de energia e a indústria que tem como principal insumo a energia elétrica”.