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Mangueiras da Constantino Nery viram exceção na ‘estufa urbana’

Necessidade para amenizar o calor do verão amazônico, árvores estão sendo plantadas pela prefeitura e vândalos têm arrancado as mudas 08/10/2015 às 22:26
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Mangueiras centenárias da Constantino Nery deixam uma sensação térmica agradável aos usuários do terminal
Jornal a crítica Manaus (AM)

O ditado “sombra e água fresca” nunca esteve tão distante da realidade da população de Manaus. A falta de arborização, as altas temperaturas e a fumaça que dominou a cidade, ontem (8), faz o manauense sofrer à procura de uma sombra pra amenizar o calor. Mas o que fazer para fugir dos incômodos efeitos da sensação térmica?

As mangueiras centenárias na avenida Constantino Nery, na Zona Centro-Sul, têm sido uma boa opção para as pessoas que trabalham nas proximidades, estão de passagem no local, ou simplesmente estão esperando o transporte coletivo.

De acordo com o ajudante de caminhão Miguel Martins, 26, o local é perfeito para jogar conversa fora, descansar embaixo da sobra para fugir do calor ou saborear uma deliciosa manga que, na época do fruto, são abundantes no local.

Miguel Martins diz que a sombra é ‘perfeita para jogar conversa fora,  descansar’ e, com sorte, saborear uma manga (Foto: Antônio Lima)

“Aqui em Manaus está ficando cada vez mais raro ver uma árvore frutífera que tenha sombra, principalmente no Centro da cidade. Saí do trabalho agora e vou para a autoescola, aproveito o tempo vago para descansar embaixo desta mangueira. Se tivesse manga agora seria melhor ainda”, enfatizou Martins, enquanto se “escondia” do sol

A advogada Thalita Silva, 27, que trabalha próximo ao terminal da Constantino Nery, também preferia que Manaus fosse arborizada com árvores frutíferas e reclamou da falta de sombras para escapar do sol escaldante nas principais ruas da cidade. “As mangueiras são árvores grandes e as sombras são maiores. Atualmente Manaus está sendo arborizada com árvores pequenas, que só têm beleza, mas não oferecem sombra”, disse.

‘Colega’ de trabalho

Trabalhando há sete anos na função de fiscal do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram), em uma das entradas do terminal de ônibus, Beltssasar Kramer Soares, 48, agradece todos os dias pelas mangueiras plantadas perto do terminal, que proporcionam  a ele  uma sombra no horário de trabalho.

“Eu trabalho fiscalizando a entrada e orientando as pessoas que utilizam o terminal. O horário mais quente aqui é entre as 14h e 16h30 e, se não tivesse a sombra desta mangueira, eu iria sofrer ainda mais com o calor. Essas mangueiras também já deram um fruto delicioso, mas infelizmente muitas estão doentes, com erva-de-passarinho”, lamentou.

Outra que também teceu elogios às mangueiras da Constantino Nery foi a auxiliar administrativa Ariane Miranda, 32, que estava esperando ônibus na sombra, no horário em que a temperatura chegava perto dos 38°C. “Com certeza a sombra tem ajudado a amenizar o calor de Manaus que, nesse verão, é quase insuportável. Quem espera ônibus aqui sofre com o calor. Ainda bem que temos essas mangueiras”, destacou.

A diretora de Arborização e Paisagismo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Rosemary Bianco, relata que a Prefeitura de Manaus tem feito diversas ações de arborização. Desde 2009 foram plantadas 8,9 mil árvores e manejadas mais de 12 mil na cidade.

Bianco cita como exemplo o programa “Manaus Verde e Viva”, que desenvolve ações voltadas à arborização de ruas e avenidas, além de canteiros e passeios públicos. Ela disse que também são feitas produção de mudas, doação, educação ambiental e conscientização para fomentar o plantio nos quintais.

De acordo com Rosemary Bianco, a prefeitura optou por espécies nativas como pau pretinho, jutairana, ipê e pata de vaca ao invés de árvores frutíferas, para evitar acidentes. 

“Esse projeto é antigo. Não plantamos árvores frutíferas porque o fruto pode cair e quebrar o vidro dos veículos, além das crianças que atiram pedras e paus para derrubar os frutos. Por isso não se recomenda frutas grandes. O plano Diretor de Arborização sugere 70% de espécies nativas e 30% de espécies exóticas. Outro ponto positivo é que  jutairana e pata de vaca não crescem na altura da fiação elétrica. Já o Ipê visa o embelezamento”, explicou Bianco.

Vandalismo

Sobre a necessidade de sombras para amenizar o calor do verão amazônico, Rosemary explicou que as árvores estão sendo plantadas, mas a ação de vândalos que arrancam as mudas tem dificultado o crescimento das árvores em Manaus. “Fizemos plantio na Avenida André Araújo e algumas árvores já estão crescendo com quatro metros fazendo sombra, mas o benefício completo só depois de dez anos. Acontece muita depredação. Na avenida São Jorge temos muitas mudas quebradas”.

A idade avançada e as doenças, como a erva de passarinho, tem diminuído o número de exemplares das mangueiras (Foto: Antonio Lima)