Publicidade
Amazônia
Amazônia

Monitoramento de raios do Inpe pode ajudar setor elétrico da Amazônia

Segundo dados do ELAT/Inpe, a Amazônia é a região mais atingida por raios e o setor elétrico o mais prejudicado 15/02/2012 às 22:02
Show 1
Além do aumento no número de incidência de descargas atmosféricas, a distribuição geográfica do fenômeno também sofrerá alterações
Elaíze Farias Manaus

O setor elétrico é o mais prejudicado pelo alto índice de descargas elétricas (raios) registrado na Amazônia. Para preparar o setor a enfrentar estes fenômenos climáticos que tendem a crescer, o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vem discutindo com a empresa Eletronorte o estabelecimento de uma parceria que viabilize a cobertura de sensores em toda a região.

Desde agosto de 2011, por meio da Rede BrasilDAT, o ELAT vem instalando sensores de raios em várias regiões do país. Até julho deste ano, as regiões sul, centro-oeste e nordeste devem estar cobertas integralmente. A região Norte, contudo, é a única que ainda não tem previsão para receber os sensores.

O coordenador do ELAT, Osmar Pinto Júnior, destaca que a expansão da cobertura está associada à interesses de parceiros na viabilização do projeto, como acontece em outras regiões do país.

"Parece contraditório. A Amazônia é a região que tem mais registro de raios, mas não possui a cobertura adequada que detecte essa incidência, sobretudo no setor elétrico, que é mais prejudicado. Atualmente o ELAT já detecta raios na Amazônia, mas não é tão preciso e detalhada. Por isso há necessidade que a gente olhe para a região. Estamos buscando apoio local. A expectativa é que ainda este ano a gente consiga ter parcerias", disse o coordenador do ELAT ao portal acritica.com., por telefone, de São José dos Campos (SP), onde fica a sede do Inpe.

Parcerias

Osmar Pinto Júnior conta que há um ano vem discutindo com a Eletronorte a criação de uma parceria entre os dois órgãos para melhorar as informações na Amazônia já que são as linhas de transmissão as mais prejudicadas pelas descargas elétricas.

"Nas outras regiões, a cobertura de sensores é fruto de parceria. Então, pensamos que na Amazônia o parceiro ideal é a Eletronorte, cujas linhas de transmissão são muito afetadas (pelos raios). Por isso não pensamos, por enquanto, em parceria por Estado, embora as concessionárias locais também possam participar e mostrar interesse", disse Osmar Pinto Júnior.

Conforme o coordenador do ELAT, a parceria seria necessária para a aquisição de equipamentos. O custo médio para uma rede na região Norte está estimada em R$ 5 milhões, cujo tempo de operação seria de 20 anos. Os locais de instalação dos sensores ficaria sob responsabilidade do Inpe, que também entraria com seu know-how no monitoramento.

Diálogo

Os benefícios dos sensores não se destinariam apenas ao sistema elétrico, pois as informações seriam compartilhadas com todos os setores da sociedade. "Só no processo de instalação da rede já vai ter uma grande repercussão. Isto vai trazer informação muito grande. A partir daí pode aperfeiçoar a previsão meteorológica e atender as demandas da Defesa Civil, da indústria, da construção civil, entre outras", explicou.

Apesar do diálogo já estar ocorrendo há um ano, o projeto ainda não avançou, segundo Osmar que, ainda assim, acredita que a cobertura na Amazônia comece a ser viabilizada a partir de 2013.

Procurada para se pronunciar sobre o assunto, a Eletrobras, cuja sede é em Brasília, responde por meio da assessoria de imprensa que o processo de diálogo com o ELAT está de fato acontecendo, mas que ainda não há definições a respeito.

Aumento

Osmar Pinto Júnior é autor de um estudo que apontava, há quase três anos, uma tendência de crescimento na frequência de raios no planeta devido ao aumento de temperatura provocado pela maior concentração de gases estufas na atmosfera.

Além do aumento no número de incidência de descargas atmosféricas, a distribuição geográfica do fenômeno também sofrerá alterações.

Ele comentou, em entrevista dada ao portal do ELAT em 2009, que os raios deverão aumentar em geral no país, mas em algumas regiões este aumento deverá ser mais significativo, como é o caso da região Amazônica.

Nesta terça-feira (14), o ELAT divulgou um balanço que apontava o Amazonas como o Estado com maior casos de mortes causadas por raios. Foram sete, conforme dados do Ministério da Saúde. Osmar Pinto Júnior acredita que este número pode ser maior, devido à ausência de registros de alguns casos.

Segundo o coordenador, existem diversos motivos para que a incidência de raios seja alta no Amazonas. Uma delas é a localização geográfica próxima da região tropical e da linha do Equador. Esta localização favorece a formação de grandes tempestades e existem ainda a chamada Zona de Convergência Intertropical.

O período de maior ocorrência de raios na região vai de setembro a março. "É quando as pessoas precisam ficar mais atentas evitar acidentes", disse.