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Moradores da ‘Veneza’ amazônida convivem com a cheia dos rios

Moradores do bairro em Cacau-Pirêra, homônimo à famosa região de canais italianos, já convivem com a água dentro das casas 03/05/2012 às 07:32
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Na residência de Maria Silva, a maromba não resolveu. E cobras já foram encontradas
Paulo André Nunes Manaus

Os canais da famosa cidade de Veneza, na Itália, já têm seu “primo pobre” amazônida: o bairro de Nova Veneza, no Cacau-Pirêra, a quatro quilômetros de Manaus, no distrito de Iranduba (a 25 quilômetros da capital). Sem nenhum glamour, e com boa parte de suas ruas quase que totalmente submersas pela cheia, os moradores improvisam, como podem, suas pontes a partir de tábuas - uma das soluções para chegar até às casas, a maioria delas de origem bem humilde.

Moradora da rua 2 do Nova Veneza há cerca de três meses, a dona de casa Viviane Nery reside com a mãe, Nair Castro, e mais sete pessoas (entre elas cinco crianças de 2 a 9 anos) em uma casa onde o acesso é feito somente por meio de uma dessas pontes.

“A situação só não está pior porque o meu pai construiu essa ponte. Senão, a gente já estaria dentro d’água literalmente”, declara Viviane, com um dos seus filhos ao colo.

Próxima dali, a família de Maria do Socorro Barbosa Silva, 36, não teve a mesma sorte e está cada vez mais “pisando na água”. É que nem a maromba (pisos elevados improvisados nas residências, em época de cheia dos rios Negro e Solimões) está resolvendo mais.

“A água já invadiu a nossa casa. Já fizemos a maromba, mas a água já tá chegando nela. Eu, meu marido, três filhos e mais a minha cunhada não sabemos mais o que fazer”, declarou a também dona de casa. Naquela casa, residiam anteriormente mais duas famílias que foram forçadas a alugar quartos em outros bairros de área distante da cheia.

A subida das águas veio paralela ao aumento da temperatura, o mau cheiro da água e o lixo acumulado, disseram os moradores. E com outro agravante: o surgimento de répteis. “Já encontramos uma cobra ‘mussum’ aqui dentro de casa”, conta Maria Silva, dizendo estar assustada. Imagine as crianças.

Na rua 4 do Nova Veneza, comerciantes que preferiram não se identificar relatam casos de ninhos de cobras, inclusive venenosas, próximo às residências. No entanto, o maior temor é que a enchente provoque a morte de crianças. “Em anos anteriores já houve casos de crianças afogadas. Esperamos que isso não se repita mais”, disse a moradora Lúcia Souza.