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Moradores da zona leste de Manaus prometem invadir área da proteção ambiental

APP às margens do lago do Aleixo será palco de manifestação. Semmas afirma que multou empresa, mas desmate continua 15/06/2012 às 11:56
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Marcelo Dutra disse que licenciamento não previa o desmatamento total da área
Florêncio mesquita Manaus

Os moradores dos bairros Puraquera e Colônia Antonio Aleixo, na Zona Leste, pretendem ocupar uma Área de Proteção de Permanente (APP), de 11,4 milhões de metros quadrados, que está sendo desmatada desde o feriado de Corpus Christis. O objetivo é  impedir a degradação do terreno.

Nesta quinta-feira (14), o  secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, um técnico da Semmas foi ao local e constatou o crime ambiental. Ele informou que a empresa já foi autuada e vai responder pelo crime que cometeu.

O terreno, localizado às margens do lago do Aleixo e igarapé Castanheira, foi desmatado  pela empresa Concrecicle Comércio de Materiais Reciclados para Construção LTDA. Nesta quinta (14) os tratores continuavam na área, segundo a comunidade.

Os moradores reivindicam a proteção do terreno e esclarecem que não pretendem efetivar nenhum tipo de construção no local. Eles querem apenas que o desmatamento pare  e os órgãos ambientais cerquem o terreno e façam valer as leis ambientais.

A intervenção dos moradores é uma tentativa de fazer com que o poder público se mobilize para impedir a degradação. A medida ocorre em conjunto com o Instituto Amazônico da Cidadania (Iaci) que protocolou, nesta quinta (14) no Ministério Público do Estado (MPE) uma ação contra a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). 

Segundo o presidente do instituto, Hamilton Leão, a Semmas concedeu a licença que autorizou a empresa proprietária de todo terreno a fazer a terraplanagem da área. No entanto, ele afirma que o documento não previa o desmatamento e como a Semmas não foi ao local fiscalizar ou acompanhar as atividades da empresa, a secretaria também tem responsabilidade no caso.

“A Semmas deu a licença para terraplanagem, mas não para desmatar e, como não  foi lá (fiscalizar), a empresa desmatou e continua derrubando árvores. O terreno é uma APP e não pode ser desmatada. Será que ninguém vê que lá existem recursos hídricos, dois igarapés, sem falar na biodiversidade que está sendo morta?”,  questionou.

Marcelo Dutra - Secretário municipal de Meio Ambiente
“Manaus tem 2 milhões de habitantes e 11 mil quilômetros quadrados. Seria imbecilidade imaginar que você daria uma liberação e iria monitorar  como se fosse uma babá colocando um funcionário físico presente dentro. A licença é para que a pessoa faça o que a lei determina e permite. Se a pessoa cometeu um crime, vai responder por esse crime. O instituto que vive dessas coisas de denuncismo procura espaço na mídia e consegue com essas imbecilidades. Nós vamos apurar o crime independente disso. Não é por força disso, porque estamos apurando muitos outros. A empresa já está sendo autuada e  vai responder pelo crime que ela cometeu.”