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Amazônia
Cotidiano, Cheia, Interior, Anamã

Moradores de Anamã (AM) estão temerosos com a cheia deste ano

Indicativo de grande cheia coloca a população do município mais atingido pela enchente recorde, em 2009, à espera do pior 17/03/2012 às 16:30
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Em 2009 a entrada do Município de Anamã foi tomada pelas águas
Carolina Silva Anamã

Diante das indicações de que a bacia Amazônica pode sofrer uma grande cheia este ano, o Município de Anamã, região mais atingida na enchente recorde, em 2009, já teme os prejuízos. A 129 quilômetros de Manaus, localizado na margem do lago que leva o mesmo nome, ligado ao rio Solimões, Anamã está numa área de várzea e geograficamente propícia às inundações.

A reportagem de A Ctrítica voltou à região, que tem pouco mais de 10 mil habitantes, e acompanhou a preocupação da população de reviver o mesmo drama ocorrido há três anos.

“A cidade já está em estado de alerta”, afirmou o coordenador da Defesa Civil de Anamã, Laércio Souza.

“Se nós tivermos a intensidade de chuvas que nós tivemos nos últimos dias, tudo indica que nossas famílias vão precisar se deslocar de suas casas por conta da enchente” explicou.

Terra Firme
Em 2009, 95% do território de Anamã ficou alagado.

Apenas as comunidades de Arixi, Alexandre, Primavera, Mato Grosso e Novo Brasil não foram atingidas porque estão assentadas em terra firme. Ao todo, 22 comunidades estão na região do Município de Anamã. 

“Nós estamos contando que na segunda quinzena de março a subida do rio comece a dar uma parada. Isso é o que nós chamamos de repiquete. Se isso vier a acontecer, é possível que a cidade não seja totalmente atingida”, avalia Laércio Souza.

Aflição
Na rua Manoel Cordeiro, a aposentada Maria Decilde, 66, aponta com olhares aflitos para a marca da cheia de 2009 em sua casa.

“Estou com medo. Mas ainda tenho a esperança de que não passaremos pelo mesmo sofrimento”, disse emocionada. Dona Maria ainda lamenta pelos dias em que viu sua casa inundada há 3 anos.

“Tive que me mudar para a casa do sogro da minha filha. Perdi muita coisa que levei tanto tempo para ter. Chorava muito quando via minha casa toda alagada. Não quero sofrer isso novamente. Também não tenho condições de me mudar para outro local”, lamentou a aposentada.

Atingidos
Situada nas proximidades do Lago Anamã, a rua Manoel Cordeiro é uma das primeiras a serem atingidas pela cheia. Por todas as ruas de Anamã, moradores buscam se prevenir dos prejuízos construindo o segundo piso das casas ou até mesmo erguendo novas moradias acima do nível da grande enchente de 2009.

Na Escola Estadual Alcinda Pinheiro Costa, localizada na rua Álvaro Maia, o diretor Francisco Sales já tem receio da paralisação das atividades. Na unidade estudam 389 alunos.

“Ainda estamos no início do ano letivo.  Em 2009, com a paralisação das aulas, tivemos um índice de evasão escolar muito alto. Estamos preocupados se essa situação vier a ocorrer novamente”.

Em 2009, a escola estadual de Anamã, que não chegou a ser totalmente alagada, foi um dos alojamentos provisórios para famílias mais atingidas. 

Para a Defesa Civil do Município, a falta de alojamentos para as famílias é um grande problema. Moradores como José Magalhães Cordeiro, 40, que mora com os três filhos e a esposa na rua Álvaro Maia, já pensam em se mudar para Manaus.

“Em 2009,  tivemos que ficar aqui na casa alagada mesmo. Era uma situação muito difícil. Não dá pra viver isso novamente”.