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Moradores de unidade de conservação no Amazonas se tornam agentes ambientais

São 198 moradores credenciados que desempenham atividades de conscientização e formam um canal direto com autoridades para denunciar crimes ambientais 24/07/2012 às 08:02
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Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, no Município de Novo Aripuanã, ações de educação ambiental já são desenvolvidas junto à comunidade
jornal a crítica Manaus

As unidades estaduais de conservação do Amazonas contam com o importante trabalho de comunitários na preservação da biodiversidade. A experiência envolve os moradores diretamente nas ações de educação e vigilância ambiental.

Criado pelo Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc), o programa Agente Ambiental Voluntário está presente em metade das áreas protegidas do Estado: em 21 das 40 Unidades de Conservação. São 198 moradores credenciados que desempenham atividades de conscientização e formam um canal direto com autoridades para denunciar crimes ambientais.

A professora aposentada Raimunda das Chagas, 67, sabe da importância de cuidar do meio ambiente. Ela mora na comunidade São Sebastião do Saracá, em Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus). Na comunidade localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro (RDS Rio Negro), a professora coleta as pilhas usadas pelos moradores para o descarte correto.

“O lixo é um problema na comunidade. Por isso, resolvi recolher as pilhas e entregar para a coordenação da Reserva, para o descarte correto, sem poluir o meio ambiente”, ressaltou.

A responsabilidade da professora aposentada vai aumentar. Ela foi uma das voluntárias treinadas pelo Ceuc, nesta semana, para uma função chave na comunidade. Como agente ambiental, Raimunda vai assumir a tarefa de ensinar aos mais jovens a dar valor à natureza.

“Para mim vai ser muito importante. Como já sou educadora, aprendi mais sobre meio ambiente e agora vou poder passar para meus comunitários, para as crianças. Educação ambiental é muito importante para nós. Manter o ambiente limpo preserva a natureza e nos dá mais saúde”, disse.

Moradores de onze comunidades da RDS Rio Negro participaram da oficina de preparação dos agentes. Para aprender a multiplicar as boas práticas, os selecionados aprendem estratégias de abordagem da questão ambiental. O teatro é uma delas. Os participantes aprendem a usar a criatividade. Transformam lixo em arte e inventam músicas e histórias para passar a mensagem da preservação adiante.

Para o chefe de unidade da RDS Rio Negro, Francisco Oliveira, o programa vai fortalecer o processo de organização das comunidades, “capacitando pessoas, prevenindo crimes ambientais e trabalhando questões como a coleta seletiva”, por exemplo.=

Federal
O o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) completou 12 anos este mês, atingindo 1.649 áreas de preservação em todo o país. O dado representa 1,5 milhão de km quadrados de terrenos protegidos, o equivalente a 17,2% do território nacional continental e 1,5% do território marítimo, que estão sob os cuidados do Instituto Chico Mendes.

Mutirões envolvem a comunidade
Fim da pesca predatória e da extração ilegal de madeira estão entre os principais ganhos com o trabalho dos voluntários

Foi através dos mutirões envolvendo a comunidade que os agentes ambientais conseguiram inibir a pesca e extração de madeira ilegal na RDS Igapó-açu, no Careiro da Várzea.

Os agentes mobilizaram a comunidade para denunciar a invasão dos madeireiros às autoridades, relata Rosival Dias,  coordenador do programa do Ceuc, que está vinculado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS). Com isso, a Polícia Militar conseguiu reprimir os madeireiros e acabar com a extração ilegal na área. Na Reserva Extrativista do Catuá-Ipixuna, entre os municípios de Coari e Tefé, a ação dos agentes conseguiu acabar com a caça ilegal de animais silvestres.

“É uma função primordial. O agente é uma liderança comunitária que é preparada para ajudar na conservação e preservação das unidades. É um canal para denunciar os crimes, mas sua principal função é disseminar a educação ambiental entre a comunidade”, ressaltou Dias.

Ser agente ambiental foi a maneira encontrada pelo agricultor e pescador Manoel Cardoso, 53, para assegurar essa realidade. Morador da comunidade Nossa Senhora de Fátima, na Ilha da Paciência, em Iranduba, o agricultor espera fazer valer o manejo do pirarucu no local.

Legalizado
Criada em 2008 por conta da construção da Ponte Rio Negro, a RDS possui cerca de 600 famílias espalhadas nos mais de 102 mil hectares de área protegida. O incentivo à agricultura familiar e a avicultura criam alternativas de geração de renda e a organização do setor madeireiro, com 14 planos de manejo, garante que todo o material extraído da área saia legalizado.