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Museu a céu aberto é nova atração turística na ‘Serpa’

Sítios arqueológicos serão abertos para visitação no município, um deles em plena área urbana e na beira do Amazonas 22/07/2012 às 11:07
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Sítio arqueológico na velha 'Serpa'
Elaíze Farias Manaus

O município de Itacoatiara (a 256 quilômetros de Manaus)  possui um dos mais ricos, boni tos e relevantes afloramentos  de rochas com inscrições e gravuras rupestres do Amazonas. 

As pedras integram um conjunto de pelo menos 27 sítios arqueológicos de diferentes datas, que vão de 1.500 a 5 mil  anos antes do tempo atual. De 27 sítios arqueológicos cadastrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Itacoatiara, 24 estão sendo inventariados.  Dois destes sítios deverão ser  transformados no primeiro museu a céu aberto do Amazonas. 

O primeiro deles será o sítio Jauari, uma área de seringal onde há fragmentos de cerâmicas de povos nativos que lá habitaram há aproximadamente 1.200 e 1.500 anos. A principal característica do sítio Jauari, contudo, é presença de registros de terra preta, um solo fértil para agricultura que tem sido alvo de intensa pesquisa científica nos últimos anos. O outro sítio que receberá intervenções de intra-estrutura para visitação pública é a Ponta do Jauari, localizada na orla de Itacoatiara, de onde afloram os pedrais estimados em 4 e 5 mil anos. 

Amanhã, o superintendente  do Iphan, Sérgio Ivan Braga, e o  arqueólogo responsável pelo projeto, Bruno Moraes, irão a  Itacoatiara discutir com o pre feito, Antônio Peixoto (PT), oplanejamento da execução da obra.O projeto do museu foi elaborado por Moraes com outra   arqueóloga, Helena Lima, que já desenvolvem pesquisa acadêmica nos sítios arqueológicos de Itacoatiara. Este projeto, contudo, foi resultado de uma licitação do qual eles saíram vence dores. 

“Temos alocados R$ 200 mil  para a execução deste projeto.  Faz parte do nosso plano de  ação. Vamos decidir agora, com  a prefeitura, como se dará a si tuação do terreno, que é particular”, afirmou Braga.


Tamanho

Conforme o superintendente do Iphan, a área do projeto tem 6 mil metros quadrados e fica na zona urbana. O projeto consiste na “adequação” da área para a visitação. A área receberá um portal, calçadas, meio fio e trilhas até um ponto central. Totens explicativos serão instalados para transmitir informações aos visitantes.

“Será uma atividade para despertar a consciência patrimonial da população e levar conhecimento. Itacoatiara está em um momento interessante. Em maio houve um curso de capacitação para 50 agentes para que eles façam inventário e cadastro de todos os imóveis de valor histórico”, disse Braga. 

A arqueóloga Helena Lima diz que os sítios arqueológicos em Itacoatiara são estudados desde o final do século 19 por historiadores como Barbosa Rodrigues e Bernardo Ramos. Contudo, eles nunca haviam sido inventariados, ou seja, ainda não haviam recebido um trabalho acadêmico de catalogação minuciosa. Outro objetivo do inventário é buscar informações para salvaguardar os bens encontrados nas áreas, que vão desde objetos intactos, pedaços de cerâmica e gravuras, além da terra preta.

Potencial

O arqueólogo Bruno Moraes destaca que Itacoatiara tem potencial turístico com seus sítios arqueológicos. “Os sítios representam a história da cidade. A gente entendeu que é viável para a população estas áreas. O importante é que o próprio seringal, que está no sítio, também é parte da história, de mais ou menos 80 anos atrás”, contou. Moraes explicou que a proposta do projeto é criar “um lugar onde as pessoas possam caminhar” e conhecer a história de Itacoatiara.

Conforme o arqueólogo, os sítios de Itacoatiara são resultados de diferentes formas de ocupação que ocorreram em épocas distintas. Utilizando outros referenciais já estudados na Amazônia Central, o arqueólogo estima que a ocupação mais antiga data de 4 a 5 mil anos atrás. Deste período, Bruno estima que fazem parte as pedras com as gravuras. “A gente tem outros sítios de terra preta e material cerâmico. São mais recentes, por volta de 1.200 a 1.500 antes do presente. As pedras podem ser anteriores a este período”, diz Moraes.

Tanto o pedral localizado na sede do município quanto o sítio Caretas, na zona rural de Itacoatiara, têm inscrições semelhantes com os desenhos encontrados na ponte das lajes, pedral localizado à margem do rio Negro, em Manaus. As caretas da ponta das lajes aparecem apenas na época de grande vazante, como a registrada em 2010.

Cidade histórica

A área do seringal onde será construído o museu a céu aberto deverá ser desapropriada e adquirida pela prefeitura de Itacoatiara em parceria com a iniciativa privada do município. A informação é do prefeito de Itacoatiara, Antônio Peixoto. “O dono tem interesse em vender e a prefeitura já fez contato com as empresas. Estas também têm uma responsabilidade social muito grande”, afirmou Peixoto.

A prefeitura também quer transformar Itacoatiara município em cidade histórica. Seria o primeiro do Amazonas. Para isso, iniciou um trabalho de inventário nos imóveis para apresentar ao Iphan. Com este status, Itacoatiara pode pleitear recursos do governo federal por meio do Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas (PAC Cidades Históricas), coordenado pelo Ministério da Cultura e ampliar as ações turísticas e sociais nos sítios.

“Pretendemos inicialmente tombar um prédio da cidade para entrarmos no PAC das Cidades Históricos. Já temos um casarão com mais de 100 anos que fica na rua Ilídio Ramos. Queremos transformar Itacoatiara em cidade histórica”, disse.

Peixoto destacou a riqueza arqueológica de seu município, lembrando que “toda ela foi habitada por indígenas” no passado. Ele afirmou que nos sítios é comum encontrar pedaços de cerâmica em forma de peixinhos, vasos, bichinhos, caretas, serrotes e machados.

Tupi

O nome em tupi-guarani, pedra pintada, não surgiu ao acaso. Itacoatiara possui, realmente, um gigantesco pedral com gravuras rupestres talhadas, provavelmente, há 4 ou 5 mil anos. Uma das pedras de maior destaque foi removida de seu local original, próximo ao porto, para a parte central da cidade. Outro sítio que vem sendo alvo de estudo é o Caretas, localizado à margem do rio Urubu, na zona rural de Itacoatiara.