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O doce retorno para casa dos marinheiros em missão na Amazônia

Após três meses em serviço pela calha do rio Juruá, no Acre, navio de Assistência Hospitalar volta a base no Amazonas 01/05/2014 às 15:25
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Familiares dos marinheiros registram a aproximação do navio, cujos profissionais realizaram quase 60 mil atendimentos
Jéssica Vasconcelos ---

Os 67 militares do navio de assistência hospitalar da Marinha Doutor Montenegro retornaram ontem, após três meses de viagem levando assistência médica às populações ribeirinhas do Estado do Acre. Na chegada o sentimento de dever cumprido e de saudade foi dividido com os familiares que aguardavam ansiosos o retorno.

As esposas e filhos dos militares buscavam pelos maridos e pais para que a saudade acumulada ao longo do tempo fosse diminuída. Segundo o cirurgião dentista Bruno Carvalho, que pela primeira vez participou de uma missão na Amazônia, é muito gratificante ver no rosto das pessoas que elas estão felizes em receber o atendimento. Na maioria dos casos são famílias carentes que não tem acesso a atendimento médico e odontológico.

O cirurgião dentista diz que a realidade das populações ribeirinhas é bem diferente das de outros Estados, porém, o respeito e o convívio com a Marinha é bastante proveitoso. “São pessoas que tem diversas dificuldades, inclusive de falta de alimentos e mesmo assim continuam felizes”, disse o Bruno Carvalho.

Ao todo, foram realizados 58.613 procedimentos médicos e odontológicos em 14.531 pessoas residentes nas 48 comunidades visitadas.

De acordo com o comandante do navio, Ewerton Rodrigues Calfa, entre os atendimentos que mais chamaram atenção, durante os três meses de atividade, está uma microcirurgia de uma paciente que apresentava afundamento na face e a retirada de um abscesso nas proximidades do joelho de uma criança de cinco anos. “Essas são algumas situações em que o atendimento precisa ser rápido e a presença da Marinha é primordial”, acrescentou o comandante.

Ainda de acordo com o comandante, o trabalho de assistência hospitalar é feito por quatro navios que se revezam pelos rios da Amazônia para atender os oito polos pelos menos  duas vezes por ano. A partir do trabalho realizado é possível perceber a mudança de hábito das populações atendidas pelo menos no que diz respeito à higiene básica, porém, retornar a esses locais é muito importante para dar continuidade ao trabalho da Marinha.

A equipe do navio foi composta por quatro médicos, cinco dentistas, um farmacêutico, uma enfermeira, duas técnicas em radiologia e seis técnicos de enfermagem, além de contar durante permanência no estado com o apoio de técnicos da Secretaria do Estado de Saúde do Governo do Acre (SESACRE). 

O navio Doutor Montenegro recebeu esse nome em homenagem ao primeiro médico da região de Cruzeiro do Sul: Manoel Braga Montenegro.