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Operação integrada deve atuar contra suposta rede de exploração sexual indígena no AM

Secretário diz que se denúncias forem comprovadas, uma ação conjunta das polícias civil e federal será proposta para proteger os indígenas 02/10/2012 às 15:18
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A população indígena de São Gabriel da Cachoeira representa 90% do total, mas mesmo assim ela é vítima de diversas agressões já denunciadas pela Foirn
A Crítica Manaus

O secretário-executivo do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM), Frederico Mendes, disse que se as denúncias da suposta rede de exploração sexual indígena no município de São Gabriel da Cachoeira (a 985 quilômetros de Manaus) forem comprovadas, o órgão vai realizar uma operação integrada das polícias civil e federal na cidade.

De acordo com Frederico Mendes, o caso está sendo investigado via o setor de inteligência da SSP. “Estamos apurando algumas denúncias e quando tivermos a veracidade das provas vamos agir de forma com uma ação policial de grande porte para desmantelar a rede de exploração sexual”, adiantou.

O delegado ressaltou que outras medidas de cunho social e preventivo estão sendo planejadas pelo GGI, para dar apoio as vítimas e as famílias. O planejamento consiste na atuação da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), Programa Educacional de Resistência as Drogas (Proerd) e do Programa de Prevenção as Drogas (Pró-Vida). “Somente a medida jurídica não tem efeito temos que dar apoio as vítimas e as famílias por isso vamos além destes programa viabilizar outras ações”, completou.

O procurador   do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) Júlio Araújo Júnior instaurou uma ação de inquérito civil público para apurar denúncias de existência da rede de exploração sexual de adolescentes indígenas no município.

A ação do procurador, que também é responsável pelas questões indígenas do MPF, tem o prazo de um ano podendo ser prorrogado conforme o andamento do caso. De acordo com o MPF, o processo corre em segredo de justiça para não expor a identidade das vítimas, adolescentes indígenas.

Segundo o presidente da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (Foirn), Abrahão França, os casos de exploração sexual de adolescentes indígenas são de conhecimento de todos na cidade. O presidente da Foirn ressaltou que a falta de perspectiva e de investimentos nas causas indígenas são fatores favoráveis para que este tipo de episódio  ocorra. “Não tem o que fazer, não tem mais roça e não tem onde morar, muito menos onde buscar o sustento. Aí aparecem esses homens que comandam e fazem isso”, disse.

A Seas informou que aguarda o posicionamento do GGI para atuar no município com ações sociais junto às famílias das vítimas. De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai) foi encaminhado à Coordenação Regional do Rio Negro um ofício referente a situação no município. O teor do documento e à medida que será tomada não foi informado.

A rede de prostituição passou a ser investigada após reportagens publicadas no portal acritica.com.