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Palmeiras de condomínio que foram cobertas por tela oferecem proteção a aves, diz ornitólogo

Instalação das telas de proteção tem autorização da Semmas, diz condomínio 27/01/2012 às 20:36
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Palmeiras de condomínio de luxo de Manaus recebem tela de proteção contra periquitos
Elaíze Farias Manaus

As palmeiras imperiais que adornam a entrada do condomínio Ephygênio Salles, na zona Centro-Sul, estão sendo cobertas por uma tela de proteção para impedir que periquitos de asa branca pousem nas copas das árvores. A medida atraiu a atenção das pessoas que passavam pela avenida Ephigênio Salles (conhecida como V-8) nesta sexta-feira (27). Muitas pessoas registraram imagens e postaram nas redes sociais.

A reportagem identificou três palmeiras cobertas por telas verdes. Há outras próximas, que provavelmente deverão ser protegidas.

Consultado pelo portal acritica.com, o biólogo e ornitólogo (especialista em aves), Mario Cohn-Haft, disse que a medida é uma questão de escolha.

“As pessoas podem optar pelas aves ou pelas árvores. Eu, particularmente, teria muito orgulho de ver um espetáculo como este, onde os periquitos de asa branca escolhem as palmeiras como dormitório. Acho muito bonito. Mas eu entendo as outras pessoas, que podem ficar incomodadas com as aves”, comentou.

Cohn-Haft, que é curador de aves do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), afirmou que as palmeiras são procuradas pelos periquitos de asa branca porque elas oferecem proteção. “É mais seguro de predadores, de cobras, porque não existem conexões entre as copas. Os pássaros fazem esforço para achar um lugar seguro para dormir e alguns ficam em grupo porque as chances de se defender são maiores”, comentou.

O biólogo disse que “dá para entender os dois lados” e que o jardim onde estão localizadas as palmeiras é antrópico (tem ação humana).

“Se eu morasse ali teria muito orgulho de ter periquito de asa branca. Mas eu reconheço os direitos de dar mais valor às árvores. De repente os periquitos podem estar fazendo barulho ou deixando suas fezes nas arvores. Mas não posso comentar mais porque não conheço  muito o lugar”, disse. Conforme o pesquisador, o periquito de asa branca é comum na várzea, mas está se espalhando nas áreas de vegetação de Manaus.

Parecer

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) foi procurada e enviou nota dizendo que “a  cobertura é uma medida preventiva sugerida pelo Ibama e que os periquitos que todos os dias pousam no local estariam corroendo as copas e matando as espécies”.

Segundo a nota, o condomínio tem um parecer do Ibama alertando para a situação e sugerindo a tomada de medidas de proteção. Conforme a Semmas,  "a medida não  influenciará na movimentação migratória das aves que continuarão utilizando as outras árvores existentes no local, a exemplo de mangueiras".

Consulta

O analista ambiental do Núcleo de Fauna do Ibama, Robson Esteves, disse que o órgão foi “apenas consultado”. Ele afirmou que os moradores chegaram a procurar o Ibama pedindo medidas para afugentar os periquitos. Esta solicitação foi negada pelo órgão.

Ele afirmou que orientou os moradores a tomar medidas de proteção, desde que elas não oferecessem nenhum obstáculo ou prejuízo à fauna.

Já o superintendente do Ibama, Geandro Pantoja, enviou comentário dizendo que o órgão emitiu parecer sobre o assunto, mas que não poderia detalhar porque já havia encerrado o expediente e não tinha como consultar o processo. Ele afirmou ainda que “medidas de obstrução à fauna poderiam causar impacto, mas isso precisava ser avaliado”.

A auxiliar administrativa do condomínio, Regina Almeida, disse que a tela de proteção nas palmeiras tem autorização da Semmas. Ela afirmou que o Ibama havia emitido um parecer contrário à tela de proteção.