Publicidade
Amazônia
Amazônia

Para Marina Silva, Brasil vive retrocesso ambiental

 Ex-ministra do Meio Ambiente do Governo Lula pede mobilização pela defesa das terras indígenas 30/08/2012 às 07:37
Show 1
A ex-senadora Marina Silva com o candidato a prefeito, Serafim Corrêa (PSB)
MARIANA LIMA Manaus

O Brasil vive um dos piores retrocessos na área ambiental. A afirmação foi feita, nessa quarta-feira (29), pela  ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil Marina Silva (sem partido), em Manaus. “Depois de mais de 20 anos de avanços na legislação, o Brasil está vivendo um dos piores retrocessos em questões ambientais”, disse Marina que, em 2010, ficou em terceiro lugar na disputa pela Presidência da República, pelo Partido Verde (PV).

Marina Silva criticou a atuação do Governo Federal no setor ambiental alegando que a Presidência da República tem dado atenção apenas às questões sociais do País. “Estamos vivendo uma época de paradoxo. Na agenda social vemos grandes avanços, o que é muito importante para todos, mas, de outro lado, há uma agenda ambiental, que é estratégica para o Brasil, que o governo não percebe o tamanho da importância”, afirmou a ex-ministra e ex-senadora.

A ambientalista também não poupou críticas às leis federais que, na opinião, representam o atraso no desenvolvimento da agenda ambiental. Entre as leis federais citadas pela ex-ministra está o novo Código Florestal, aprovado na Câmara dos Deputados em abril deste ano, que entre outros fatores concede anistia aos desmatadores.

Para Marina, é lamentável a aprovação da lei complementar nº 140, a “Lei de Competências Ambientais”, que transfere a responsabilidade das fiscalizações ambientais do Ibama para órgãos municipais e estaduais; e a medida provisória nº 571, que concede a presidente Dilma Rousseff a possibilidade de diminuir as unidades de conservação ambientais já criadaspara a construção de possíveis hidrelétricas, manutenção de pastos e outras atividades econômicas.

O Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 125/2000, que determina que é de responsabilidade do Congresso Nacional a criação de novas terras indígenas, também foi questionado pela ex-senadora Marina Silva. “Se pensarmos que existem no máximo 60 deputados favoráveis às terras indígenas na Câmara (de um total de 513) e outra meia dúzia favorável no Senado (de um total de 81 senadores), veremos que nunca mais vai se criar terra indígena no País”, alerta.

Amazônia e eleições

Para a ex-ministra do Governo Lula, há um distanciamento entre as atitudes políticas e administrativas do Governo Federal  e a  Amazônia. Ela disse que “o Brasil precisa aprender a dialogar com a sua outra metade. E essa outra metade, em grande parte, é a Amazônia”.

Sobre as eleições municipais, Marina Silva defendeu a importância de a população escolher um prefeito que assuma as atitudes baseadas na agenda sustentável: “Manaus precisa ser um exemplo de cidade sustentável no coração da Amazônia. A Amazônia tem um peso muito grande, pela sua importância geográfica e em termos de recursos naturais, além de ser outra face do Brasil”.

Área verde é cenário de gravação

A ex-ministra Marina Silva veio a Manaus a convite do candidato à Prefeitura de Manaus pela coligação “Agora, Somos nós e o povo”, Serafim Corrêa (PSB). Marina passou 26 horas na capital amazonense; gravou programas eleitorais pedindo voto para Serafim que serão exibidos ainda esta semana.

Marina afirmou que a postura de Serafim Corrêa foi um dos motivos que a fez escolhê-lo como candidato: “É muito bom fazer uma campanha de uma pessoa leve, tranquila e que combina muito com meu estilo. Ele tem tantas qualidades que graças a Deus não vou precisar falar dos adversários dele. Tenho muito respeito e carinho pelas pessoas que concorrem a prefeitura com Serafim, a Vanessa e o Artur são exemplos disso”, disse.

A equipe de produção do programa eleitoral de Serafim escolheu uma área verde de proteção ambiental, localizado no conjunto Castanheiras, Zona Leste, como cenário para gravar a participação especial de Marina Silva.

Após as gravações, Marina fez um apelo aos moradores do lugar e aos militantes que a aguardavam para tirar fotos: “ Vocês têm que transformar as casas de vocês, eu sei que a gente fez aqui muitas ‘Casas de Marina’ em ‘Casas de Sarafa’, cada pessoa pode transformar sua casa em uma ‘Casa de Sarafa’”, propôs.