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Pesquisa afirma que quelônios morrem afogados presos em rede de pesca

Pesquisador descobre que a espécie de quelônio conhecida como Irapuca é vítima de afogamento por ficar presa muito tempo na rede de pesca embaixo da água. A espécie de quelônio faz parte da dieta das comunidades ribeirinhas na região do Médio Rio Negro. 04/12/2012 às 18:08
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A Irapuca é uma espécie de quelônio amazônico do Médio Rio Negro
acritica.com Manaus (AM)

Pesquisa realizada pelo mestre em Diversidade Biológica, Mário Quara de Carvalho dos Santos, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) verificou que a captura na rede de pesca, faz com que muitos quelônios da espécie Irapuca, morram afogados por passarem tempo demais submersos, sem conseguir respirar.

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), a pesquisa foi realizada no período de 2009 a 2011, na Ufam. Intitulado “Propriedades do sangue e efeito do mergulho forçado sobre o perfil hematológico de Podocnemis erythrocephala” – nome científico da Irapuca -, constatou que esta espécie de quelônio é a principal vítima do emaranhamento das redes de pesca, seja de forma acidental ou intencional.

“O objetivo do estudo foi avaliar o perfil hematológico da Irapuca em resposta a diferentes tempos de mergulho forçado para que os resultados contribuam com projetos de manejo e na tentativa de evitar a mortalidade desses animais por afogamento”, esclareceu Quara.

Ainda segundo o pesquisador, a Irapuca faz parte da dieta das comunidades ribeirinhas da região, e sua captura é realizada indiscriminadamente durante todo o ano, sem intervalo de tempo.


Realização da pesquisa

Foram capturadas 39 irapucas que habitavam igarapés do Arquipélago de Mariuá. Os animais foram distribuídos em três grupos e submetidos a diferentes períodos de mergulho forçado.

Após o tempo de 30 a 60 minutos submergido de maneira forçada, Quara retirou amostras de sangue e realizou biometria em todos os animais. Verificando o peso corpóreo, tamanho e largura do casco.

Conclusão

Segundo constatou Quara, em sua pesquisa, a Irapuca é uma espécie que consegue ficar até 60 minutos de submersão forçada, realizando constantemente ajustes fisiológicos para manutenção do equilíbrio de seu corpo em situações de ausência de oxigênio.

“Tempos superiores aos testados no estudo podem ocasionar distúrbios marcantes, e exaustão dos substratos energéticos levando o animal à morte”, concluiu o pesquisador.