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Pesquisa analisa a produção e distribuição do vinho de açaí em Lábrea (AM)

O produto constitui base da alimentação dos moradores da cidade  e foi alvo de pesquisa para estimular melhoria na  produção, distribuição e consumo 23/08/2012 às 12:44
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O estudo detectou que há 31 microfábricas de açaí espalhadas em todos os bairros da zona urbana de Lábrea e a produção, geralmente, é de origem familiar
acritica.com Manaus (AM)

Analisar a produção, beneficiamento e distribuição do vinho de açaí na cidade de Lábrea (município do Amazonas localizado a 702 quilômetros a sudeste de Manaus) e expor as realidades econômicas do município para que os estudantes entendam as realidades socioeconômicas da cidade. Este foi o objetivo do projeto intitulado ‘Beneficiamento e distribuição do vinho de açaí (Euterpe precatória Mart) na cidade de Lábrea-AM’.

O estudo foi desenvolvido por estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Professora Balbina Mestrinho, no âmbito do Programa Ciência na Escola (PCE). Um  programa incentivado pelo Governo do Estado do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que consiste em apoiar a participação de professores e estudantes da Educação básica e de Jovens e Adultos (EJA) em projetos de pesquisa desenvolvidos nas escolas públicas estaduais e municipais do Amazonas.

De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Roger Heck, Lábrea possui uma economia embasada no extrativismo vegetal e animal onde o açaizeiro se destaca entre os diversos recursos vegetais por sua abundância e por produzir um importante alimento para as populações locais.

Conforme o professor, apesar dos grandes esforços dos produtores locais, o município precisa melhorar em alguns pontos para obter uma produção ideal. “É necessário a implantação de uma fábrica de beneficiamento, através de uma cooperativa de fabricantes do vinho do açaí. A pesquisa mostrou que é fundamental entender a produção de açaí como saúde pública”, destacou.

O estudo detectou que há 31 microfábricas de açaí espalhadas em todos os bairros da zona urbana de Lábrea e a produção, geralmente, é de origem familiar. “Na cidade, todo açaí beneficiado é retirado diretamente da floresta sem qualquer forma de manejo por parte das pessoas que exploram esse fruto”, salientou.

Levantamento

O projeto foi desenvolvido no período de seis meses em três fases distintas. Na primeira fase, foi realizada a revisão de literatura, visita e entrevista junto ao Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), para que os estudantes entendessem a dinâmica de exploração e beneficiamento do açaí em Lábrea.

 Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas com questões abertas e fechadas aos proprietários das microfábricas de beneficiamento. Ao todo, foram visitadas três microfábricas de cada bairro e entrevistados os proprietários e trabalhadores de cada uma. “Acreditamos que esta amostragem pôde representar a realidade do beneficiamento e produção do vinho do açaí”, pontuou o professor.

 Equipe

Para o estudante de Iniciação Científica Júnior, Tony Dias Noé, no início, a equipe encontrou dificuldades para executar a pesquisa. “A princípio quando recebemos o convite em sala de aula ficamos assustados, mas com o projeto aprendemos coisas novas. Nós sabíamos o que era o açaí, mas não tínhamos a noção da origem e a fonte de produção. Somos gratos  imensamente por fazer parte desse estudo”, revelou o estudante emocionado durante a apresentação do resultado do projeto.

 O trabalho foi desenvolvido por três estudantes: Francisca das Chagas da Silva Ferreira, Francisca Maia Rodrigues, Ivana Vital e Tony Dias Noé Araújo.

 Avaliação

O Seminário Final de Avaliação dos projetos do PCE desenvolvidos no município de Lábrea aconteceu na última segunda-feira (20/08). O evento reuniu autoridades locais, professores e alunos. Na ocasião, estavam presentes o secretário de Educação do Município, Valdinei Vital, a coordenadora Regional da Seduc em Lábrea, Luzanira Paiva, o representante da Seduc, Eriberto Façanha e o representante da Fapeam, Danilo Areosa.

Durante o evento, Valdinei Vital demonstrou a sua satisfação em ver o projeto desenvolvido no município. “Esse recurso é importante e eu fico bastante feliz, pois estamos no meio do maior laboratório a céu aberto do mundo, que é a floresta amazônica. E quando isso é trazido para dentro da escola faz com que o estudante fique com a mente aberta para pesquisa científica”, pontuou.

Representando a Fapeam, Danilo Areosa ressaltou a importância do programa, principalmente no interior do Amazonas, e informou que um dos pontos que a FAP prioriza é a busca por novos pesquisadores, principalmente no interior do Estado.

“Hoje vemos bolsistas que começaram na iniciação científica e agora estão cursando o mestrado ou doutorado. Esperamos essa formação nos municípios e queremos esse grau de excelência no ensino. Isso demonstra o comprometimento dos alunos com o trabalho”, disse.

Para a avaliadora Leocenira Mendes, o PCE cria a ponte do primeiro contato do jovem com a pesquisa. Mestre em ciências florestais e ambientais, ela destacou que a partir do momento que o jovem já possui a experiência da IC ele não sente tanta dificuldade na universidade.  “Quando o estudante sai da IC e ingressa na academia ele não sente dificuldades, pois na IC adquire uma noção de pesquisa e de relatório. Parabenizo o professor pelo projeto. Parabéns pelo trabalho. Vocês cumpriram o resultado, além de ser os pioneiros no PCE com a pesquisa científica no município”, frisou.

Sobre o PCE

O PCE é um programa que apoia, com recursos financeiros e bolsas, sob formas de cotas institucionais, estudantes dos ensinos Fundamental e Médio integrados no desenvolvimento de projetos de pesquisas de escolas públicas, que conta com apoio das Secretarias estadual (Seduc) e Municipal (Semed).