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Amazônia
Pesquisa malária

Pesquisa estuda a ligação entre fatores genéticos e a ocorrência de anemia grave em pacientes com malária, no AM

Estudo desenvolvido na Fundação de Medicina Tropical avalia 300 pacientes, com idades de 0 a 14 anos 31/10/2012 às 12:07
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Pesquisadores querem compreender melhor relação provável entre a anemia e a ocorrência de malária
acritica.com Manaus

A tendência dos pacientes com anemia a desenvolver a forma grave da malária, causada pelo Plasmodium vivax, é um fenômeno a ser melhor compreendido pelos estudiosos da endemia. Os aspectos genéticos dos indivíduos estão entre os fatores que podem estar influenciando no desenvolvimento da forma grave da doença, conforme explica a diretora presidente da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Graça Alecrim.


Ela destaca que a genética humana ainda é um campo vasto de estudo, no que se refere às pesquisas em malária. Um dos trabalhos que deverá trazer novas descobertas na área de genética e malária é o projeto de pesquisa da bióloga Larissa Brasil, que está sendo desenvolvido com pacientes da FMT-HVD, no âmbito do Programa de Pós-Graduação de Medicina Tropical, como tese de doutorado, sob a orientação do diretor de Ensino e Pesquisa da FMT-HVD, o pesquisador Marcus Lacerda.


O programa é promovido pela Fundação e ministrado em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A pesquisa deverá ser concluída em quatro anos. De acordo com Lacerda, duas observações clínicas vêm sendo relatadas, por meio de anotações científicas, sobre a relação entre malária e anemia, especialmente com base em estudos realizados em regiões do continente africano.


Uma delas refere-se ao fato de alguns pacientes desenvolverem anemia, após ou durante a infecção por malária. Em outros casos, o paciente já está anêmico e, ao ser infectado pelo protozoário, piora seu quadro clínico. “Anemia é fator de complicação da malária. Isso é fato. O que falta descobrir, são os fatores que influenciam nessa dinâmica”, esclareceu. De posse dessas informações, diz ele, é possível pensar em novas estratégias de prevenção.


O projeto da bióloga tem justamente o objetivo de avaliar os aspectos clínicos e laboratoriais da anemia em pacientes, acometidos por malária transmitida pelo Plasmódio do tipo vivax, que é a espécie responsável pela maioria dos casos na Amazônia.


O universo da pesquisa é composto por crianças de 0 a 14 anos.  Em torno de 300 crianças deverão participar da fase de coleta do estudo, com autorização dos pais. A pesquisa tem como título ‘Avaliação dos fatores de risco associados ao desenvolvimento de anemia em malária por Plasmodium Vivax, em uma unidade terciária da Amazônia Ocidental brasileira’.


De acordo com Larissa Brasil, o estudo permitirá reconhecer os fatores de risco para o desenvolvimento da anemia em pacientes com malária vivax e os fatores genéticos que podem proteger a criança de desenvolver um quadro grave da doença. “O principal foco do trabalho é identificar os marcadores genéticos de proteção à anemia grave por malária vivax, permitindo, dessa forma, melhorar o desenvolvimento de terapêuticas e de prevenção da endemia”, explicou.


Para caracterizar os fatores determinantes, a pesquisa inclui a avaliação dos aspectos nutricionais, bioquímicos e microbiológicos. Além da bióloga, uma equipe multidisciplinar está atuando no projeto – biomédicos, médicos infectologistas, farmacêuticos bioquímicos, enfermeiros, nutricionistas e pediatras. As análises clínicas e laboratoriais serão realizadas na infraestrutura disponível para pesquisas na FMT-HVD.


Segundo Larissa, a proposta é pioneira na América Latina. Para Lacerda, o cenário em que a pesquisa está sendo desenvolvida é favorável para descobertas importantes, refletindo na compreensão da dinâmica da genética do hospedeiro, na região Amazônica. “Além de estarmos em área endêmica, que é um campo farto para estudos, temos a capacidade de reunir especialistas com alto nível de conhecimento técnico e experiência, nessa área”, frisa.


A fase de coleta de sangue e material genético dos pacientes atendidos na FMT-HVD já teve início. Os primeiros resultados deverão ser divulgados, a partir de junho do próximo ano, conforme estima a bióloga.