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Pesquisa financiada por agência europeia vai estudar impacto das mudanças climáticas na Amazônia

O estudo, que começa em março, terá recursos provenientes de agência financiadora da França no valor de R$ 3,5 milhões de euros 27/01/2012 às 00:08
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Região do Lago do Janauacá será um dos pontos analisados durante o estudo
Elaíze Farias Manaus

Os possíveis impactos das mudanças climáticas no ciclo hidrológico da bacia amazônica e na sua fauna e flora aquática serão estudados pela primeira vez por instituições de pesquisas estrangeiras e brasileiras.

Os trabalhos de campo começam em março deste ano por uma equipe interinstitucional. A única amazonense participante é a pesquisadora Joecila Santos da Silva, doutora em hidrologia espacial e pertencente aos quadros da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Com investimentos de 3,2 milhões de euros financiados pela Agência de Pesquisa para a Biodiversidade (uma agência de fomento da França), o estudo terá duração de três anos. Ele abrangerá aproximadamente 90 mil quilômetros quadrados, abrangendo a bacia do Solimões-Amazonas.

O trabalho atuará em três pontos: Lago Iarauacaca, em Letícia (Colômbia), Lago Janauacá, nas proximidades de Manuas, e Várzea de Curuai, na região de Santarém, no Pará.

Em entrevista ao portal acrítica.com, Joecila disse que o estudo vai estudar a diversidade aquática, as condições ambientais e suas alterações e os animais invertebrados (como é o caso dos zooplâncton, organismos que flutuam na superfície aquáticas) que são apontados como indicadores da qualidade da água.

Ela destacou que, embora outras instituições já estudem as alterações climáticas na bacia amazônica, eles se concentram na vegetação arbórea.

“Um dos nossos objetivos é verificar se o clima está alterando a biodiversidade. Se fala muito, mas não temos comprovação. Apenas especulações. Precisamos de comprovações científicas. Já temos alguns dados sobre os efeitos das mudanças climáticas, como o nível do mar que está subindo e o degelo, mas precisamos de outros indicadores”, disse Jocelia, que é especialista em medidas de níveis de rio por meio de satélite.  

Tarefas

O projeto será executado pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD, na sigla em francês) com financiamento de 3,2 milhões de euros por parte da Fundação para Pesquisa em Biodiversidade (FRB, da sigla em francês).

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) por meio do Centro de Estudos Superiores do Trópico Úmido (Cestu) será a única instituição do Estado que participará do projeto.

O Cestu será responsável pelo fornecimento de medidas de variação dos níveis das águas, geradas por satélites altimétricos, para complementar os estudos da biodiversidade, sob coordenação de Joecila Santos da Silva.

Entre as instituições brasileiras que participam do projeto estão a UEA, Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal Rio Grande Sul (UFRGS), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast). Já entre as instituições francesas estão o IRD, o Centro Internacional de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento (CIRAD, na sigla em francês) e Universidade de Paris VIII.