Publicidade
Amazônia
Amazônia

Pesquisador afirma que o mês de julho é propício para reprodução de mosquitos transmissores

Malária, dengue e virose são doenças cujo ápice de contaminação acontece no próximo mês, quando inicia a vazante 13/06/2012 às 07:52
Show 1
Borrifação de biolarvicida é um dos métodos de prevenção à malária que deverão ser usados com mais intensidade a partir do próximo mês de julho
Milton de Oliveira Manaus

O mês de julho  é considerado o período de ascensão e reprodução dos mosquitos transmissores da malária (anopheles darlingi) e da dengue (aedes aegypti), em função dos efeitos da enchente dos rios na bacia Amazônica. A informação é do cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Wanderli Pedro Tadei. Ele alerta que os criadouros dos insetos estão próximos a residências e com isso intensificam o contato com o homem com os transmissores das doenças.

De acordo com o responsável pelo laboratório de malária e dengue do Inpa, a descida das águas “desfaz” os criadouros, mas esse processo não significa a eliminação do inseto. “Até que os criadouros se desfaçam por completo, você tem um período muito grande de reprodução do mosquito e intensa transmissão”, alertou. Ainda conforme Tadei a diminuição deste processo só irá ocorrer a partir de setembro.

O pesquisador lembrou  também que há anos acreditava-se que o mosquito da malária se reproduzia no rio Solimões e muitas termonebulizações (aplicação de inseticidas por projeção de névoa seca) desnecessárias foram feitas naquela região. “Hoje sabemos que ele se reproduz em águas negras, pobres de nutrientes, como as águas do rio Negro e dos lagos de Coari e Tefé por exemplo”, revela o especialista, ressaltando também que, quando ele é encontrado no Solimões é porque existem áreas de águas escuras próximas.

Conhecidos
Conforme as pesquisas realizadas pelo Inpa, pelo menos três espécies de mosquitos habitam as zonas rurais e urbanas da cidade de Manaus. “Além do anopheles darlingi, que é o principal transmissor da malária e que habita em áreas do interior do Estado e na zona de mata em contato com a cidade, como o Puraquequara, Zona Leste, existem também outros igualmente perigosos”, diz o pesquisador. “O aedes aegypti, transmissor da dengue e o culex quinquefasciatus, que é o nosso carapanã”, falou.

Esses insetos realizam, segundo  Wanderli Tadei, “ações antropofílicas”. “Eles procuram o homem e encontram porque, quando respiramos ou transpiramos, exalamos substâncias que são detectadas pelos mosquitos. Por isso eles entram nas casas”, concluiu.

Praça
Ainda de acordo com o pesquisador, áreas alagadas com águas de fossas são criadouros de mosquitos. “Aquela área do terminal de ônibus da Matriz, onde havia águas de esgoto era lugar propício ao carapanã, que, ao picar uma pessoa, provoca febres que podem durar três dias, a arbovirose, que a população chama de virose”, concluiu.

Para o doutor, os efeitos da enchente vão além da alagação de cidades e falta de abrigos, “estão relacionadas com o meio ambiente” e deve haver um programa de controle por parte das instituições de pesquisas e o governo.

Prevenção
Segundo Wanderli Tadei, nas residências o mosquito da dengue pode ser combatido com o cravo-da-india, syzygium aromaticum, triturando-o em um liquidificador e, em seguida, misturando com água e colocando-o num pratinho de jarro de planta ou outros locais de foco do mosquito.