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Amazônia
Saúde e intercâmbio

Pesquisador alemão ressalta importância da floresta amazônica para a cura de doenças

A opinião é do pesquisador e professor de dermatologia da Universidade Ludwing-Maximilians, de Munique, Andreas Wollenberg, e foi dada ontem durante a Jornada Científica promovida pela Fundação Alfredo da Matta 12/05/2016 às 09:21 - Atualizado em 12/05/2016 às 09:40
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O professor Andreas Wollenberg acompanhou o quadro de alguns pacientes do Alfredo da Matta (Fotos: Antônio Menezes)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Mais pesquisas devem ser feitas e incentivadas para se identificar, na floresta amazônica, a cura para males como as doenças dermatológicas. A opinião é do pesquisador e professor de dermatologia da Universidade Ludwing-Maximilians, de Munique, Alemanha, Andreas Wollenberg, e foi dada ontem durante a Jornada Científica promovida pela Fundação Alfredo da Matta (Fuam).

Especialista em doenças alérgicas da pele, principalmente a dermatite atópica em crianças, ele pontuou que, de alguma forma, a floresta amazônica pode ajudar no trabalho que os pesquisadores fazem no segmento.

“Atualmente não existe nenhum fitoterápico conhecido que possa atuar nas manifestações das peles dessas crianças, mas acredito que pesquisas devem ser feitas e o objetivo de estabelecer uma parceria entre a Universidade de Munique e Universidade do Estado do Amazonas/Fundação Alfredo da Matta, é realmente investigar se talvez essa seja uma possibilidade”, disse o pesquisador, que ministrou a palestra sobre “Atualização em Dermatologia” no auditório da Fuam, na rua Codajás, 24, Cachoeirinha, Zona Sul.

Uma das principais dúvidas abordadas pelos participantes locais e convidados de outras instituições de fora do estado. presentes ao evento de ontem foi como conduzir os pacientes, tendo em vista que os mesmos possuem a pele extremante seca, com lesões nos braços e joelhos, na área do glúteo, do pescoço.

“Os pais dessas crianças nos procuram porque essas lesões, com a pele seca, elas coçam muito. Então, o que foi abordado aqui é como tratar esses pacientes, desde como devemos orientar, até que remédios devemos dar. É claro que nós já fazemos isso, e o que o professor Andreas trouxe foram algumas das suas pesquisas mais atuais”, informa Catarina Talhari, professora de Dermatologia da UEA e uma das intermediadoras da vinda do pesquisador alemão à cidade.

Entre os medicamentos destacados por Andreas Wollenberg na palestra de ontem estão principalmente os remédios conhecidos como biológicos, que atuam na inflamação provocada pela dermatite.

Ele citou os inibidores da calcinerina e os biológicos que atuam nas interleucinas - este último um tratamento bem recente contra a doença. “É claro que algumas dessas medicações ainda estão em estudo e não foram liberadas para uso geral na população, mas são esperança para os pacientes que apresentam dermatite atópica mais grave, com maior comprometimento do corpo”, complementa Catarina Talhari.      

Participantes

A jornada científica foi organizada pela Diretoria de Ensino e Pesquisa e pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Fundação Alfredo da Matta, tendo iniciado na última segunda-feira e encerrado ontem, com simpósio e curso de atualização. O público alvo foram profissionais e acadêmicos da área de Saúde.

O evento teve, além da participação de Andreas Wollenberg, a presença de outros nomes como palestrantes, entre eles os professores-doutores Plínio Monteiro, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Nailson Pinto, da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Ana Cyra Lucas (Ufam), Mauro Cunha Ramos, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio Grande do Sul, Jacqueline Sachet, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Milton Ozório, da Fundação Oswaldo Cruz-Rio de Janeiro e Monica Santos (Fuam e UEA).

BLOG: Hélder Cavalcante, diretor-presidente da Fuam

Através do professor Sinésio Talhari e de   Carolina Talhari estamos abrindo um canal de comunicação e relacionamento com a Alemanha, em especial com Munique, onde o serviço de dermatologia é um dos maiores, senão o maior da Europa. De fato, os investimentos grandes em pesquisa médica são feitos nos  EUA e na Europa, onde a Alemanha está na frente nessa evolução. E é importante para a Fundação Alfredo da Matta trocarmos ideias e vermos o up to date, conhecimento de ponta atual, e é isso que o professor Andreas veio trazer para nós”.

Estudante universitário luta diariamente contra a dermatite

O estudante universitário Cael Fernando Saraiva, de 19 anos, enfrenta a dermatite atópica desde os 6 meses de idade, o que o faz abrir mão de várias coisas comuns aos jovens de sua idade.

Acadêmico do 3º período do curso de Tecnologia em Jogos Digitais da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ele estava ontem com sua mãe, a professora Deusimar Celeste Saraiva, na Fundação Alfredo da Matta (Fuam), e teve seu caso observado pelo pesquisador alemão Andreas Wollenberg.

Cael Fernando diz já ter sido internado várias vezes em razão da dermatite, sendo a última há 3 anos. Ele é atendido no próprio Alfredo da Matta.

“O calor me prejudica e me afeta demais. Principalmente à tarde, e dependendo do local. No frio, minha pele fica mais seca, mas é melhor que o calor excessivo”, fala ele.

Não há espaço para a vaidade com Cael, que não gosta de se ver refletido no espelho em face das consequências da dermatite atópica. “Não me olho no espelho, nem tomo banho de piscina. E fiquei mais de 1 ano usando apenas camisas de mangas curtas”, conta o estudante.

A esperança de um dia ficar completamente curado é encarada com ceticismo pelo universitário. “Encaro que há 50% de possibilidade de ficar curado, e 50% de continuar com os mesmos sintomas”, contou ele para a reportagem.

EM NÚMEROS

15% dos casos dermatológicos atendidos atualmente são eczemas, e a dermatite atópica é a principal delas. É uma alergia bem comum na população, causando desconforto e muitas vezes difícil de reverter. É causada por um distúrbio que tem componentes alérgicos muito fortes mediado por células.